Exclusivo Tecnologia portuguesa anti-drones protege céus da Ucrânia
A startup que desenvolveu a Swatter Portable Gun (SPG), um equipamento portátil anti-drones, prepara uma ronda de 1,2 milhões e já tem os EUA e o Brasil na mira para a sua expansão internacional.
Depois de vários pilotos com Exército e Marinha Portuguesa, a portuguesa Swatter está a colocar a sua tecnologia anti-drones a proteger os céus e as infraestruturas críticas na Ucrânia. A startup está a preparar uma ronda de 1,2 milhões de euros e já tem os EUA e o Brasil na mira para a sua expansão internacional.
Integrada na Base Tecnológica e Industrial de Defesa (BTID), licenciada pelo Ministério da Defesa Nacional para a indústria e comércio de bens e tecnologias militares, os sistemas da Swatter já se encontram integrados no Exército e Marinha Portuguesa, que recorrem às suas soluções de neutralização de drones em diferentes contextos operacionais.
A Swatter Portable Gun (SPG) — um equipamento portátil concebido para neutralizar drones, através da “emissão direcionada de radiofrequência, bloqueando as comunicações entre o drone e o seu operador, bem como os sinais de posicionamento por satélite, como os sistemas GNSS, incluindo o GPS utilizados para navegação” — é o seu produto mais conhecido, já tendo sido testado em diversos exercícios operacionais, como o ARTeX do Exército Português ou o REPMUS da Marinha Portuguesa. Mas não só.

“Já participamos em 2025 num exercício desenvolvido pela NATO, o DYNAMIC MESSENGER, onde realizámos experiências com um sistema fixo de interferência GNSS equipado com antenas omnidirecionais, a bordo do HNLMS Johan de Witt (L801) da Marinha Holandesa”, conta Renato Branco, que em 2021 cofundou a Swatter com João Gaspar e mais dois outros cofundadores, ao ECO/eRadar.
“Durante o exercício, tivemos a oportunidade de testar o interferidor GNSS contra drones e navios militares em ambientes operacionais realistas e exigentes. Estes testes proporcionaram informações valiosas sobre o desempenho e a resiliência do sistema em condições desafiantes”, conta.
“Este ano vamos ter a nossa primeira participação em exercício fora de Portugal, exercício organizado pela NATO. Esta iniciativa é a primeira de uma série de campanhas planeadas para o corrente ano, destinadas a testar continuamente soluções de Counter-Uncrewed Aerial Systems (C-UAS)”, disse ainda, sem mais pormenores.
Estamos a trabalhar para podermos entrar no mercado dos EUA, através do programa Foreign Comparative Testing (FCT) que é um programa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que permite testar e avaliar tecnologias e equipamentos desenvolvidos por países aliados, com vista a uma eventual aquisição pelas Forças Armadas norte-americanas.
Os pilotos resultaram na “aquisição de produtos que estão a ser utilizados para proteção de infraestruturas críticas e em situações de combate”, entre as quais na Ucrânia. Mas, Renato Branco preferiu, por questões de confidencialidade, não detalhar se a compra tinha sido feita diretamente por forças militares ou por revendedores.
Com mira nos EUA e Brasil
A empresa está apostada na internacionalização da sua tecnologia, tendo já registado a sua patente nos EUA. “Estamos a trabalhar para podermos entrar no mercado dos EUA, através do programa Foreign Comparative Testing (FCT) que é um programa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que permite testar e avaliar tecnologias e equipamentos desenvolvidos por países aliados, com vista a uma eventual aquisição pelas Forças Armadas norte-americanas. Encontramo-nos em fase avançada e pretendemos tentar evoluir o processo com a nossa presença na feira Sea Air Space em Washington, D.C”, revela Renato Branco.

Mas não só. “Contamos num futuro próximo podermos fechar parcerias com empresas brasileiras de possam ser representantes dos equipamentos da Swatter no Brasil, explorando possíveis pilotos com as Forças Armadas brasileiras”, antecipa.
Os equipamentos são “totalmente, projetados, desenhos e assemblados por nós”, garante o cofundador. “Por sermos ainda uma startup, recorremos a parceiros para a produção e fornecimento externo de peças”, diz, preferindo não detalhar os mercados dos parceiros de produção. “Temos a capacidade de produção de 200 sistemas até ao final do ano.”
Ronda de capital à vista
Para alimentar estes planos de crescimento, a empresa prepara uma nova injeção de capital. “Quando a Swatter Company foi fundada em 2021, recebeu um investimento de 100 mil euros da Portugal Ventures, correspondente à primeira edição da cal INOV ID. Esse dinheiro permitiu à Swatter chegar a um protótipo funcional em 2022. 2023 foi um ano de demonstrações e evolução do protótipo juntos das forças militares portuguesas e de segurança pública, para evoluirmos a um produto totalmente funcional e consolidar as primeiras vendas. Todo este processo foi com bootstraped“, explica Renato Branco.
“Estamos neste momento a preparar uma nova ronda de capital de 1,2 milhões de euros”.
“Queremos crescer a equipa, com a contratação de 12 pessoas até ao final deste ano. Temos um projeto submetido e delineado no valor de 2,5 milhões de euros, um projeto de dois anos que visa o melhoramento de processo de fabrico do atual produto, investimento em inovação de três novos produtos na áreas de C-UAS, e expansão internacional com a participação da Swatter nas maiores feiras da defesa e segurança, bem como na realização de pilotos e demonstrações”, detalha, quando questionado sobre os planos para este reforço de capital.
“Fechamos o ano de 2025 com uma faturação superior a meio milhão de euros”, revela.

A ambição de crescimento acompanha o crescente interesse na indústria de drones e de defesa anti-drones, como indica a proposta da Comissão Europeia para este setor apresentada em fevereiro. Em cima da mesa está a mobilização de um envelope de 400 milhões de euros.
“A estratégia europeia para drones é importante, e com ela é acompanhada inevitavelmente os contra-drones. As guerras atuais, como se vê na Ucrânia, mostram que os drones que são baratos, escaláveis e tecnologicamente adaptáveis, passaram a ser centrais no campo de batalha”, começa por comentar Renato Branco. “Hoje, não basta desenvolver capacidade de drones, é essencial investir também em sistemas de deteção, neutralização e guerra eletrónica. O futuro dos conflitos passa por esta lógica de drones versus contra-drones, e a Europa precisa de acelerar a sua base industrial e tecnológica para não ficar dependente de terceiros”, diz.
“Portugal tem, de facto, engenheiros de elevada qualidade, reconhecidos internacionalmente pela sua formação técnica sólida, capacidade de adaptação e forte componente prática. O talento existe, é reconhecido internacionalmente e já compete ao mais alto nível”, considera.
“O desafio está em fortalecer o ecossistema, ligar melhor universidades, centros de investigação, startups, indústria e financiamento. E, sobretudo, é essencial que as Forças Armadas valorizem e integrem soluções desenvolvidas em Portugal, funcionando como cliente âncora e motor de inovação. Sem mercado interno e validação operacional, é difícil escalar”, ressalva.

“Esse caminho já começou a ser feito, e é justo reconhecê-lo. Há hoje maior articulação entre universidades, centros de investigação, startups e indústria, bem como uma atenção crescente das Forças Armadas à incorporação de soluções nacionais. Mas é preciso fazer muito mais, com maior escala, previsibilidade e continuidade. O setor da defesa, dos drones e contra-drones exige investimento sustentado, programas plurianuais e decisões rápidas. Sem massa crítica e compromisso de longo prazo, o ecossistema não ganha dimensão suficiente para competir internacionalmente”, reforça.
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