Mau tempo custa 80 milhões à EDP, mas não afugenta data centers. “Nenhuma rede é infalível”, diz Stilwell
O CEO da EDP espera que, esta quinta-feira, já não existam clientes sem acesso a energia elétrica em território nacional, na sequência das interrupções causadas por tempestades.
No rescaldo da apresentação de resultados da EDP, o CEO, Miguel Stilwell d’Andrade, aponta em declarações ao ECO/Capital Verde que o comboio de tempestades que assolou Portugal no início do ano deu origem a cerca de 80 milhões de euros de custos. Em paralelo, indica que tem estado em contacto com operadores de centros de dados que consideram instalar-se na Península Ibérica, e que estes não estão reticentes tendo em conta os problemas que se têm verificado na rede.
“Infelizmente, o ano começou com uma série de tempestades que devastaram o país e a nossa rede em particular, começando pelo Kristin, mas não só”, introduz Stilwell, antes de indicar que foram afetados mais de 6.000 quilómetros de rede e mais de 200 megawatts de ativos. No total, a tempestade provocou cerca de 80 milhões de euros de custos associados às redes, aos geradores, ao serviço comercial e à mão-de-obra.
Na madrugada na qual chegou a tempestade Kristin, no dia 28 de janeiro, mais de um milhão de clientes ficaram sem energia. Quase um mês depois, contam-se ainda centenas de clientes sem energia. Contudo, “provavelmente, na call [da EDP, com investidores] de quinta-feira, já não teremos clientes sem energia“, vaticina o CEO. No entender do CEO da EDP, “foi feita uma fantástica coordenação”, entre a E-Redes, Agência Portuguesa do Ambiente, os municípios e o Governo.
“Houve aqui um trabalho em condições muito adversas, de recuperação da rede”, afirma Stilwell, recordando que a EDP, através da E-Redes, já havia proposto um reforço das redes em Portugal no último plano de investimentos: “Já tínhamos antecipado esta necessidade de investimento nas redes, não só este ano, mas nos próximos anos também”.
Questionado sobre se as consequências da tempestade nas redes fragilizam a posição da EDP face ao concurso para a concessão de redes de baixa tensão, o qual tem vindo a ser adiado e cujas condições estão a ser desenhadas pelo Governo, Stilwell recusa. “O que isto mostrou foi a necessidade crítica de ter uma boa coordenação entre vários níveis de tensão e as várias autoridades nacionais. Só reforça que o atual modelo teve aqui uma série de virtudes ao permitir esta coordenação“.
Falhas na rede não afugentam centros de dados
Tanto o apagão ibérico, em abril passado, como as tempestades severas que se verificaram deste janeiro, evidenciaram fragilidades da rede. Mas Miguel Stilwell recusa que os investidores, interessados em instalar centros de dados na Península Ibérica, estejam a ser afugentados por estes incidentes.
“Temos que ser realistas sobre isto: todas as redes têm estes problemas. Nenhuma rede, em nenhuma parte do mundo, é infalível. Ou então teríamos que ter um custo de tal forma disparatado, que também era impraticável“, defende o líder executivo da EDP. Neste sentido, considera “positivo” o estudo encomendado pelo Governo à DGEG, que tem como objetivo fazer o balanço entre resiliência das redes e preço pago pelas mesmas.
Para exemplificar como Portugal não está particularmente mal posicionado, faz referência a um apagão que se verificou recentemente no nordeste dos Estados Unidos. “Acho que nós temos uma excelente qualidade de serviço em Portugal. Excelente, comparável com qualquer país europeu”, remata.
“Nós estamos vindo a desenvolver vários contactos com operadores e potenciais operadores de data centers“, indica Stilwell. Além da parceria já anunciada, com a Merlin Properties, para abastecer um campus de centros de dados no Carregado, a EDP afirma que “continua a desenvolver” outros contactos. “Daremos notícias em breve sobre isto”, fecha o CEO.
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