“O melhor parceiro são os EUA, e o F-35 da Lockheed Martin é o caminho a seguir”, diz embaixador americano

Os EUA podem ajudar Portugal na renovação da frota dos F-16, em fim de vida, diz John Arrigo, embaixador em Lisboa. "Mal posso esperar. Uma parte emocionante do que faço é fechar esse negócio."

Na hora de renovar a frota de caças da Força Aérea Portuguesa, os EUA são o “melhor parceiro” e “o F-35 da Lockheed Martin é o caminho a seguir”, defende John Arrigo, embaixador dos Estados Unidos em Lisboa.

“Portugal está de parabéns por ter atingido os 2% do seu PIB em despesas com a defesa este ano”, afirma John Arrigo, em Transatlantic Talks, um novo podcast do ECO em parceria com a Câmara de Comércio Americana em Portugal, que celebra este ano o 75.º aniversário.

O embaixador dos EUA em Portugal John Joseph Arrigo e o presidente da AmCham Portugal – Câmara de Comércio Americana – António Martins da Costa, em entrevista ao podcast “TransAtlantic Talks”.Hugo Amaral/ECO

E para Arrigo, os EUA podem dar uma ajuda concreta a Portugal nos seus esforços de defesa: na renovação da frota dos F-16, em fim de vida. “Estamos ansiosos por ajudar Portugal com a despesa [em Defesa]. A primeira delas é a frota de F-16, que está a envelhecer. Eles sabem que têm uma frota de F-16 envelhecida, e acreditamos que o melhor parceiro é novamente os EUA, e o F-35 da Lockheed Martin é o caminho a seguir”, defende o embaixador na sua primeira entrevista económica.

“A Lockheed Martin tem a capacidade de os fabricar e de os entregar a tempo. Por isso, mal posso esperar. Uma parte emocionante do que faço é fechar esse negócio”, atira Arrigo.

António Martins da Costa, presidente da AmCham Portugal, também nota um maior interesse de empresas americanas no setor de defesa português. “Vemos cada vez mais investidores americanos na área da defesa, aeroespacial e segurança a virem para cá e a estabelecerem parcerias ou mesmo acordos comerciais com as empresas portuguesas. Isto significa que este é um dos setores mais importantes para o desenvolvimento de negócios em Portugal e os nossos amigos dos EUA estão muito interessados nisso.”

Concorrência europeia

No final do ano passado, Nuno Melo, ministro da Defesa, referia que o processo de processo de renovação dos caças ainda não tinha avançado. Portugal tinha em novembro avançado com a sua proposta para o programa SAFE junto da Comissão Europeia tendo sido o foco na renovação de outro tipo de equipamento militar, como fragatas. Os caças ficaram de fora do equipamento incluído na fatia de 5,8 mil milhões de euros que Portugal garantiu do empréstimo. O primeiro cheque de 876 milhões de euros está previsto chegar em março.

No caso dos caças, a americana Lockheed Martin enfrenta a concorrência da SAAB e do consórcio Eurofighter que têm vindo a acenar com parcerias com a indústria portuguesa, para a sua inclusão na cadeia de fornecimento destes fabricantes.

O processo decorre num momento em que a relação entre a Europa e os EUA — agravada pelo dossiê Gronelândia — apresenta sinais de tensão e em Bruxelas a mensagem para os Estados-membros é para a compra de equipamento militar europeu, visando com isso tornar mais robusta a indústria do continente, garantindo uma maior autonomia das capacidades de defesa da região.

Os EUA já alertaram que a manter-se essa posição, não dando aos Estados-Membros autonomia nas suas decisões de compra, irão retaliar igualmente com medidas protecionistas nas aquisições militares do país.

Veja aqui o vídeo com John Arrigo no podcast Transatlantic Talks:

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