Portuguesa TensorOps cria ‘exército de agentes IA’ contra ciberataques para unicórnio Armis

Tecnológica está a desenvolver para a unicórnio, recentemente adquirida pela ServiceNow por 7,75 mil milhões de dólares, agentes IA para ajudar as empresas a se defender dos ataques cibernéticos IA.

A portuguesa TensorOps aliou-se ao unicórnio de cibersegurança Armis para criar agentes de IA e, com isso, dar ferramentas às empresas para “combater o fogo com fogo” num momento em que a IA é cada vez mais usada em ataques cibernéticos, com fins maliciosos.

“Estamos a realizar investigação (R&D) em conjunto para desenvolver um sistema proprietário de agentes de IA no ambiente da Armis. Embora não possamos divulgar as especificações técnicas exatas, trata-se de uma capacidade de um mini exército de agentes que, atualmente, não existe para as empresas no mercado”, adianta Cláudio Lemos, CEO da TensorOps, ao ECO/eRadar.

Fundada em 2023, por Gad Benram e Cláudio Lemos, a empresa tem-se focado na implementação de sistemas de IA inteligentes e capacidades de agentes avançados, e desde o seu arrancou apontou mira ao mercado externo. “Ao contrário de outras consultoras que se focam no mercado local português, o nosso modelo de negócios é orientado para a exportação de serviços e talento nacional. Quase toda a nossa receita provém do estrangeiro“, refere Cláudio Lemos. “Atualmente, servimos clientes em Espanha, Alemanha, Luxemburgo, Israel e nos EUA (no passado, até trabalhámos com uma empresa da Coreia do Sul)”, detalha.

No ano passado, a empresa registou um crescimento de mais de 60% do seu volume de negócios. Com Israel a representar 67,5% da receita e quase um terço a ter origem o mercado ibérico (10,2%), EUA (9,6%), Reino Unido (7,1%) e 5,6% do Reino Unido, segundo dados partilhados pela TensorOps.

 

Notion, KLA, Jfrog, Seeking Alpha, Sports Illustrated — “e uma série de outras empresas cotadas no Nasdaq e unicórnios” — estão entre a lista de clientes. “A nossa ambição é estabelecer uma presença semelhante ao modelo da McKinsey: experiência global com relações locais profundas”, aponta o CEO.

Exército de agentes IA para combater IA

A parceria com a Armisunicórnio de cibersegurança adquirida em janeiro pela ServiceNow por 7,75 mil milhões de dólaressurgiu através de uma recomendação. “Começou com uma abordagem direta. O fundador e CTO da OTORIO, empresa adquirida pela Armis por 120 milhões de dólares no ano passado, recebeu uma forte recomendação sobre nós, vinda de outro empresário na área da cibersegurança com quem tínhamos previamente trabalhado. Dado o nosso histórico no desenvolvimento de agentes de IA para cibersegurança e defesa, contactaram-nos para unirmos forças neste projeto”, relata o cofundador da TensorOps.

Estamos a assistir a uma mudança na área em que os ciberataques já não são executados apenas por hackers humanos, mas por agentes de IA ofensivos, utilizados tanto por organizações criminosas e/ou estatais. Os humanos, por si só, já não conseguem agir com rapidez suficiente para os travar. Com base nesta mudança, estamos a desenvolver os agentes de IA, desenhados para monitorizar, detetar e defender contra estas ameaças, a uma escala que nenhuma equipa humana conseguiria acompanhar. É, efetivamente, a única forma de vencer a nova guerra de IA contra IA.

Cláudio Lemos

CEO da TensorOps

Apesar de não poder revelar em detalhe o trabalho de investigação realizado para a Armis, Cláudio Lemos descreve a missão como “combater o fogo com fogo”. E explica porquê: “Estamos a assistir a uma mudança na área em que os ciberataques já não são executados apenas por hackers humanos, mas por agentes de IA ofensivos, utilizados tanto por organizações criminosas e/ou estatais. Os humanos, por si só, já não conseguem agir com rapidez suficiente para os travar”, descreve.

Um recente estudo da Thales dá conta da dimensão do problema: estima-se que “quase 87% das organizações sofreram um incidente impulsionado por IA no ano passado e que o phishing gerado por IA agora representa mais de 80% das ameaças por e-mail em muitos ambientes”.

“Com base nesta mudança, estamos a desenvolver os agentes de IA, desenhados para monitorizar, detetar e defender contra estas ameaças, a uma escala que nenhuma equipa humana conseguiria acompanhar. É, efetivamente, a única forma de vencer a nova guerra de IA contra IA”, diz.

Trabalho feito pela equipa em Portugal

Um trabalho que vai ser desenvolvido para a empresa de cibersegurança a partir de Portugal. “A equipa específica que está a resolver este problema com a Armis está sediada aqui mesmo, em Portugal”, destaca o CEO da TensorOps, empresa com 25 colaboradores e com membros da equipa espalhados em Londres, São Francisco e Tel Aviv.

Embora a equipa tenha “duplicado de tamanho nos últimos dois anos”, Cláudio Lemos admite esta colaboração com a empresa internacional vai ter impacto no crescimento da empresa ao nível de pessoas, sem precisar números. “Esta é uma colaboração que exige, sem dúvida, uma expansão da equipa. No entanto, como esta é uma área de vanguarda, e a nossa estratégia foca-se em investir fortemente no nosso talento e colaboradores atuais, dando-lhes tempo e recursos para dominarem estas novas tecnologias de agentes”, diz.

“Esta abordagem está a criar um conhecimento profundo dentro da nossa equipa, aqui em Portugal, especificamente em IA e cibersegurança, que antes não existia no mercado”, reforça.

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