Fábrica de Unicórnios arranca Engineers Hub com 10 startups que querem criar 200 empregos
As startups querem, em seis meses, criar 200 postos de trabalho. Já levantaram 12 milhões de euros. A ambição, admite o presidente da Ordem dos Engenheiros da Região Sul, é ver aí nascer um unicórnio.
Depois de arrancar há pouco mais de um ano, inaugura esta quinta-feira o Engineers Hub. Resultado de uma parceria estratégica entre a Fábrica de Unicórnios e a Ordem dos Engenheiros – Região Sul, o hub nasce sob o chapéu da Unicorn Factory Lisboa, que já viu nascer seis, acolhendo 10 startups que já levantaram 12 milhões de euros deverão criar duas centenas de postos trabalho. A Quadrante e a CIMPOR são os parceiros do hub.
“As 10 startups que, de momento, integram o Engineers Hub já levantaram 12 milhões de euros em investimento e é esperado que criem 200 postos de trabalho nos próximos seis meses. Estes números mostram que estamos a trabalhar com projetos já validados e com capacidade de execução, o que reforça a nossa ambição de acelerar o seu crescimento e criar uma comunidade que contribua ativamente para impulsionar a inovação no setor da engenharia português”, adianta Gil Azevedo, diretor executivo da Unicorn Factory Lisboa.
“O nosso objetivo é fazer deste polo um catalisador de crescimento da inovação em engenharia em Portugal, onde startups já em operação ou em fase de lançamento, detidas por membros da Ordem dos Engenheiros, possam testar e escalar as suas soluções tecnológicas, beneficiando de iniciativas de apoio ao desenvolvimento de negócio e rede de mentores, bem como de várias oportunidades de contacto direto com empresas, empreendedores e investidores, nacionais e internacionais”, refere.

António Carias de Sousa explica o que motivou a Ordem dos Engenheiros da Região Sul (OERS) a avançar para este projeto. O hub visa “estruturar um ambiente orientado para a ação, onde engenheiros e estudantes podem transformar conhecimento técnico em soluções com aplicação real, desenvolver modelos de negócio sustentáveis e lançar startups capazes de gerar inovação no e para o país”, diz o presidente. O objetivo é claro, garante: “reter talento, promover a inovação tecnológica, criar valor económico e reforçar a competitividade da engenharia portuguesa, posicionando-a como um motor ativo de desenvolvimento do país”.
Para isso, foi feito um “investimento cuidadosamente planeado e executado sob critérios muito exigentes de controlo de custos”, diz o presidente da Ordem dos Engenheiros da Região Sul. “Todas as decisões foram tomadas com o objetivo de assegurar a sustentabilidade financeira da OERS e de garantir que o esforço realizado é proporcional ao impacto esperado”, refere.
As 10 startups que, de momento, integram o Engineers Hub já levantaram 12 milhões de euros em investimento e é esperado que criem 200 postos de trabalho nos próximos seis meses. Estes números mostram que estamos a trabalhar com projetos já validados e com capacidade de execução, o que reforça a nossa ambição de acelerar o seu crescimento e criar uma comunidade que contribua ativamente para impulsionar a inovação no setor da engenharia português.
O mesmo “incidiu principalmente no espaço e num recurso afeto à sua gestão, havendo uma partilha de serviços com a equipa da Unicorn Factory Lisboa, que está connosco numa vertente de cogestão”, afirma António Carias de Sousa sem avançar valores.
Hub arranca com 10 startups mas há mais em pipeline
Localizado junto à sede da OERS, na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, o hub ocupa 300 metros quadrados, contando com espaço de coworking e salas privadas com diferentes lotações, totalizando 45 lugares. Dispõe ainda de uma copa e de um auditório com capacidade para 192 pessoas, para acolher eventos comunitários, como hackathons, workshops e palestras.
Para já arranca com 10 startups como membros, sendo que há “várias em fase de inscrição, pelo que este número irá aumentar rapidamente”, refere Gil Azevedo. Não necessariamente através de incubação física no espaço. À semelhança de outros hubs da Unicorn Factory também o Engineers Hub possui um modelo de membro virtual, “precisamente para garantir flexibilidade e apoiar as startups que integram a comunidade, independentemente de terem espaço físico no hub“, explica o diretor executivo da Fábrica de Unicórnios.
Além do acompanhamento estratégico, “esta modalidade inclui participação em eventos e momentos de networking, promovendo a ligação à comunidade de inovação em engenharia e a potenciais parceiros, bem como mentoria especializada, quer na vertente técnica, assegurada por mentores da Ordem dos Engenheiros – Região Sul, quer na vertente de negócio, facilitada pela Fábrica de Unicórnios”, explica Gil Azevedo.
“Este apoio na vertente de negócio traduz-se na formação contínua, através de workshops, cursos e sessões de capacitação em áreas críticas para o seu crescimento, e no acesso a oportunidades de negócio, nomeadamente a programas de aceleração, ligação a parceiros corporativos e organização de demo days“, refere ainda.

Em termos de perfil, embora as startups tenham uma forte componente de engenharia, há “diversidade e transversalidade” nos projetos. “Contamos, neste momento, com projetos nas áreas da defesa, infraestruturas, cibersegurança, energia, digitalização industrial, entre outras vertentes tecnológicas estratégicas”, indica Gil Azevedo.
“A nossa ambição é integrar projetos tecnológicos relevantes para o setor, independentemente da sua origem geográfica. Nesse sentido, startups internacionais podem ser membros virtuais sem qualquer restrição”, diz. Já no que diz respeito à adesão presencial, ou seja, à utilização das salas privadas ou do espaço de coworking, “é necessário apenas que pelo menos um dos elementos da startup seja membro da Ordem dos Engenheiros – Região Sul”.
“Desta forma, asseguramos que o espaço físico mantém uma ligação direta à comunidade de Engenharia em Portugal, enquanto o modelo virtual está aberto ao ecossistema global”, justifica o diretor executivo da Unicorn Factory Lisboa.
Prioridade: realização de pilotos
A Quadrante e a CIMPOR são os parceiros do hub. “O objetivo é alargar a representação a diferentes áreas da engenharia e consolidar um ecossistema transversal e competitivo, e podemos adiantar que estamos neste momento em conversações com mais dois potenciais parceiros”, adianta António Carias de Sousa sem revelar quais.
Neste momento, não há pilotos a decorrer entre as startups e as empresas parceiras, mas “essa é uma das nossas prioridades”, garante o presidente da OERS. “Ao longo do ano, iremos promover esta ligação, nomeadamente através da divulgação de desafios corporativos, identificação de oportunidades concretas de colaboração e apoio à aproximação entre startups e empresas, sempre com o objetivo de incentivar o desenvolvimento de pilotos ou provas de conceito”, diz.

Parte de uma rede de hubs, António Carias de Sousa acredita que dessa rede podem ser retiradas sinergias, de parte a parte. “Esta integração permite uma relação simbiótica, em que o hub beneficia do acesso a redes de investimento, mentoria e visibilidade do ecossistema, ao mesmo tempo que atua como o motor de engenharia e tecnologia de ponta para os restantes membros”, considera.
“A proposta de valor da OERS materializa-se ao transformar os desafios dos outros hubs em soluções de engenharia robustas. Isto inclui, por exemplo, o desenvolvimento de hardware para o setor da saúde, o design de soluções para a sustentabilidade ou a criação de produtos físicos inteligentes para startups de Inteligência Artificial”, elenca. Desta forma, a “OERS assume-se como o parceiro de engenharia essencial que transforma conceitos em produtos tangíveis, reforçando a posição de Lisboa como uma capital de inovação a nível global”, argumenta.
… a sonhar com unicórnios
Transformar o “conceito de engenharia em Portugal” é a ambição que a OERS tem para este hub. “Que o engenheiro português seja reconhecido não apenas pelas suas competências técnicas, mas também como um agente de inovação e um líder de negócios à escala global, sendo o hub o catalisador para essa mudança”, diz António Carias de Sousa.
“O hub funciona como a ponte definitiva entre a universidade e a indústria, permitindo gerar soluções com aplicação real e impacto mensurável. Com este projeto, a OERS assume-se como um parceiro fundamental na área do empreendedorismo tecnológico, liderando a criação de uma nova geração de empresas de base tecnológica e contribuindo ativamente para a retenção de talento em Portugal”, refere.
“O sinal inequívoco do sucesso desta visão será quando uma empresa nascida no hub atingir o estatuto de referência internacional, como um unicórnio”, considera.

Com outros hubs temáticos espalhados por várias zonas da cidade, Gil Azevedo faz um “balanço global muito positivo” dos últimos três anos. “Contamos com mais de 110 membros ativos e 220 colaboradores a trabalhar nos nossos espaços físicos, apoiados por mais de 10 parcerias estratégicas com entidades de referência, como a Google, a Microsoft, o Grupo Brisa, a APVP e a Cleantech for Iberia”, diz o diretor executivo da Unicorn Factory. Foram realizados mais de 150 eventos, dezenas de workshops e iniciativas com parceiros, envolvendo mais de 5.500 participantes.
“Estes números mostram que o contributo dos nossos hubs para o ecossistema empreendedor nacional não se mede apenas pelo crescimento individual das startups que os integram, mas sobretudo pela criação de comunidades especializadas, assentes na partilha de conhecimento e colaboração. É esta dinâmica que nos permite reforçar o posicionamento de Portugal como produtor de inovação em áreas de forte crescimento e críticas para a economia do futuro”, diz.
O hub funciona como a ponte definitiva entre a universidade e a indústria, permitindo gerar soluções com aplicação real e impacto mensurável. Com este projeto, a OERS assume-se como um parceiro fundamental na área do empreendedorismo tecnológico, liderando a criação de uma nova geração de empresas de base tecnológica e contribuindo ativamente para a retenção de talento em Portugal. (…) O sinal inequívoco do sucesso desta visão será quando uma empresa nascida no hub atingir o estatuto de referência internacional, como um unicórnio.
Contudo, da fábrica de unicórnios ainda nenhuma startup voou para uma avaliação de mil milhões de dólares. “É importante contextualizar esta questão no quadro mais amplo do ecossistema português. Globalmente, uma empresa leva, em média, mais de oito anos a atingir o estatuto de unicórnio. A Tekever, por exemplo, demorou 20 anos a lá chegar, o que demonstra que este é um percurso que exige tempo, resiliência e consistência“, ressalva Gil Azevedo.
“A Unicorn Factory Lisboa tem três anos de atividade e, nesse período, já apoiou mais de 500 startups e representa mais de 50% das rondas de investimento inicial em Portugal, contribuindo para consolidar Lisboa como um hub de inovação com escala internacional. Isto mostra que estamos, claramente, no caminho certo”, continua.
“Portugal passou de um mercado maioritariamente local, com pouca visibilidade externa, para ganhar projeção internacional e entrar na fase de scaling up, na qual temos tido um papel crucial nesta evolução. Hoje, estamos numa nova etapa: as startups portuguesas não querem apenas crescer; querem competir globalmente”, acrescenta.
“Mas para que possam fazê-lo, é essencial assumir a inovação como prioridade nacional. Isso exige uma estratégia clara, que seja orientada por um enquadramento legal e fiscal ajustado à realidade das startups, redução efetiva da burocracia, maior facilidade na atração de talento e mecanismos que mobilizem capital privado em escala. Só assim o ecossistema conseguirá reunir as condições necessárias para ver surgir novos unicórnios”, defende.
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