Investidores reagem com frieza a resultados recorde da Nvidia

A empresa mais valiosa do mundo apresentou os melhores resultados da sua história, mas os investidores estão mais preocupados com o futuro do que impressionados com o presente.

ECO Fast
  • A Nvidia apresentou resultados recordes, com receitas a crescer 73% para 68,13 mil milhões de dólares, mas Wall Street reagiu com muita cautela.
  • O segmento de centros de dados, responsável por 91% das vendas, continua a impulsionar o crescimento da empresa, mas as áreas de gaming e automóvel ficaram aquém das expectativas.
  • Os investidores questionam a sustentabilidade do investimento em IA e a capacidade da Nvidia de manter a sua liderança num mercado cada vez mais competitivo.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A Nvidia apresentou na quarta-feira depois do fecho da bolsa os melhores resultados da sua história, mas Wall Street não ficou impressionada. As ações da fabricante de chips sobem apenas 0,65% no pré-mercado desta quinta-feira, numa reação morna que reflete as dúvidas crescentes dos investidores sobre a sustentabilidade do boom da inteligência artificial (IA).

Os números do quarto trimestre fiscal de 2026 (terminado a 25 de janeiro) são, por si só, impressionantes: as receitas dispararam 73% em termos anuais para 68,13 mil milhões de dólares, superando as previsões dos analistas que apontavam para 66,21 mil milhões.

O lucro por ação ajustado fixou-se em 1,62 dólares, acima da estimativa de 1,53 dólares dos analistas, e a empresa ainda surpreendeu com uma orientação para o trimestre seguinte de 78 mil milhões de dólares, muito acima do consenso de mercado de 72,6 mil milhões.

A questão central entre os investidores não são as centenas de mil milhões de euros que os chamados hyperscalers estão a gastar em chips de IA, mas quando é que esse investimento vai gerar retorno suficiente para justificar esse investimento.

O motor deste crescimento continua a ser o segmento de centros de dados, que representa 91% das vendas totais da empresa e gerou receitas de 62,3 mil milhões de dólares no trimestre, acima das expectativas de 60,69 mil milhões. As vendas deste segmento multiplicaram-se por 13 desde o lançamento do ChatGPT, segundo os analistas. Já os segmentos de gaming e automóvel ficaram aquém das previsões, com receitas de 3,73 e 0,6 mil milhões de dólares, respetivamente.

Os resultados são positivos, mas não resolvem as valorizações elevadas do setor da inteligência artificial nem o risco para os incumbentes, cujas ações têm sido afetadas por sucessivas notícias de avanços tecnológicos que podem destronar o seu modelo de negócio”, refere Henrique Valente, analista da ActivTrades.

Mas os investidores olham cada vez mais além dos números imediatos. “O debate deslocou-se dos resultados de curto prazo para a sustentabilidade do investimento em infraestrutura de IA”, afirmou Richard Clode, gestor de carteiras da Janus Henderson Investors, à CNBC.

A questão central entre os investidores não são as centenas de mil milhões de euros que os chamados hyperscalers, como a Meta, a Microsoft ou a Google, estão a gastar em chips de IA, mas quando é que esse investimento vai gerar retorno suficiente para justificar o investimento e a despesa.

A Nvidia terminou 2025 como a empresa mais valiosa do mundo, avaliada em cerca de 4,66 biliões de dólares, e as suas margens brutas ajustadas de 75,2% continuam a ser invejáveis.

No início de fevereiro, estas empresas chegaram a perder mais de um bilião de dólares em capitalização bolsista combinada, com receios de uma bolha tecnológica. A concorrência também preocupa: a AMD anunciou esta semana um acordo “de dezenas de mil milhões” com a Meta para fornecimento de chips, e a Alphabet (dona da Google) e a Amazon desenvolvem os seus próprios processadores de IA, vendidos a preços muito abaixo dos da Nvidia.

O próprio CEO da Nvidia, Jensen Huang, respondeu aos críticos durante a conferência de resultados, garantindo que os seus chips são mais versáteis do que os da concorrência e que os clientes continuam a gerar dinheiro com os seus investimentos.

Jensen Huang aproveitou ainda para contestar os receios de que a IA vai destruir empresas de software. “Os mercados estão errados”, afirmou, argumentando que os agentes de IA vão usar as ferramentas de software existentes, e não substituí-las. Apesar disso, as ações de empresas como a Synopsys e a Cadence chegaram a cair após o fecho da bolsa, com os investidores a manterem a cautela — se bem que atualmente, no pré-mercado, já recuperaram dessas perdas.

A Nvidia terminou 2025 como a empresa mais valiosa do mundo, avaliada em cerca de 4,66 biliões de dólares, e as suas margens brutas ajustadas de 75,2% continuam a ser invejáveis — as mais altas desde meados de 2024. Mas, como alertam os analistas, essa elevada margem é precisamente o que atrai a concorrência. A pergunta que paira sobre o mercado já não é se a Nvidia cresce, é por quanto tempo consegue manter este ritmo.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Investidores reagem com frieza a resultados recorde da Nvidia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião