Afinal, economia cresceu 2,2% em 2024. INE confirma desaceleração para 1,9% em 2025
Economia portuguesa cresceu 1,9% em termos homólogos e 0,9% em cadeia no quarto trimestre do ano passado. INE confirma estimativa rápida para a globalidade do ano.
A economia portuguesa cresceu 1,9% no ano passado, impulsionada sobretudo pela procura interna, cujo contributo voltou a acelerar, confirmou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). O organismo nacional reviu, contudo, em ligeira alta a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) para 2,2% em 2024.
Os dados conhecidos esta sexta-feira permitem destacar três pontos para a análise da dinâmica da economia. O primeiro passa pela revisão em alta de 0,1 pontos percentuais (pp.) no crescimento do PIB em 2024. Ao invés dos 2,1% estimados inicialmente, o INE apurou que a expansão afinal se fixou em 2,2%.Uma revisão que resulta essencialmente da incorporação de novos dados sobre o saldo externo de bens e serviços.

O segundo ponto centra-se no comportamento do PIB em 2025. O INE confirmou o terceiro ano de desaceleração do crescimento económico, com a taxa a fixar-se em 1,9%, menos 0,1 pontos do que a meta do Governo. Por fim, o terceiro ponto passa pela confirmação do aumento do PIB de 1,9% em termos homólogos no quarto trimestre do ano passado e a revisão em alta de 0,1 pp. na comparação em cadeia para 0,9%, face aos dados preliminares avançados em janeiro.
Após o retrato geral, o que explica então o crescimento de 1,9% no ano passado? A procura interna continua a ser o principal motor da economia. O seu contributo voltou a acelerar, passando de 2,9 pp. em 2024, para 3,7 pontos em 2025. Uma dinâmica explicada sobretudo pelo consumo privado, cujo crescimento se fixou em 3,5%, resultado do aumento de 3,2% da despesa em bens não duradouros e serviços e de 7,1% de bens duradouros.

A influenciar o crescimento da procura interna esteve ainda a aceleração do crescimento do investimento, passando de 3,8% em 2024 para 5,7% em 2025, e, em menor grau, o aumento do consumo público para 1,7%, mais 0,2 pp. do que em 2024.
Por outro lado, a procura externa apresentou um contributo mais negativo para a variação anual do PIB, passando de -0,6 p.p. em 2024 para -1,8 p.p. em 2025. Uma evolução que reflete um abrandamento das exportações mais intenso do que o verificado nas importações — o crescimento da venda de bens e serviços ao exterior passou de 3,2% em 2024 para 0,4% em 2025, enquanto o ritmo das importações travou apenas 0,2 pp..
Para este ano, o Ministério das Finanças prevê um crescimento de 2,3%, em linha com o esperado pelo Banco de Portugal e acima das projeções das restantes principais instituições económicas. Porém, o Governo já alertou que as intempéries que fustigaram o país terão consequências na economia e nas contas públicas, deixando em aberto a possibilidade de alteração do cenário macroeconómico.
Produtividade diminui 0,4%
A produtividade — medida pelo rácio entre o PIB em volume e o número de pessoas empregadas — diminuiu 0,4% em 2025, o que compara com o crescimento de 1,5% em 2024, revelam ainda os dados divulgados pela INE. No entanto, quando medida pelo rácio entre o PIB em volume e o número de horas trabalhadas revela-se estável, mantendo-se em linha com os 1,3% registados em 2024.
Em 2025, o emprego cresceu 2,3%, após um aumento de 0,7% no ano anterior, enquanto o emprego remunerado aumentou 2,1%, o que compara com os 1% do ano anterior. Considerando o emprego medido em termos de horas trabalhadas, verificou-se um
crescimento de 1,9% em 2025 (0,9% 2024).
(Notícia atualizada às 12h15)
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