Alemã Enercon fecha uma das fábricas em Viana do Castelo e despede 68 trabalhadores
Unidade de Lanheses encerra no final de abril. Multinacional indica que “como não existe alternativa ao fim da produção, os colaboradores receberão rescisões por motivos operacionais”.
A multinacional Enercon vai concluir a atividade produtiva da fábrica de Lanheses, em Viana do Castelo, no final de abril, devido à alteração da sua linha de produtos e garante que os trabalhadores afetados, que a autarquia contabiliza serem 68 pessoas, receberão “rescisões por motivos operacionais”.
“A atividade produtiva da fábrica de Lanheses será concluída no final de abril de 2026. A decisão decorre da alteração da linha de produtos da Enercon, uma vez que deixou de existir procura para os componentes fabricados nesta unidade e não estão previstas alternativas de produção”, afirma a empresa em comunicado a que a agência Lusa teve acesso.
Além da fábrica instalada no parque empresarial Lanheses, a Enercon tem ainda outra unidade de produção de aerogeradores, no parque empresarial da Praia Norte, em Viana do Castelo, que emprega mais de mil trabalhadores.
Segundo a multinacional alemã, “como não existe alternativa ao fim da produção, os colaboradores da fábrica de Lanheses receberão rescisões por motivos operacionais”.
“A Enercon está a desenvolver todos os esforços para explorar oportunidades de recolocação interna e cumprirá integralmente todas as obrigações legais relacionadas com o encerramento da unidade de produção”, acrescenta, adiantando que “o fim da produção nesta unidade não altera a presença nem o compromisso de longo prazo da Enercon em Portugal.
A multinacional alemã garante que “toda a restante estrutura da Enercon em Portugal continuará a funcionar normalmente, mantendo o seu contributo significativo, tal como o tem feito ao longo destes 18 anos de presença no país”. “A dedicação e o profissionalismo das nossas equipas continuam a ser fundamentais para o nosso sucesso”, sublinha a nota.

A fábrica de Lanheses, que iniciou a laboração em 2008, “produz principalmente geradores para os modelos de aerogeradores da plataforma EP2 (2MW de potência)”.
Segundo a Enercon “devido à diminuição da procura deste produto, uma tendência do mercado que já era expectável, a comercialização centra-se agora em modelos mais modernos, de maior potência e rendimento, das plataformas EP3 e EP5”. “A produção de geradores para as plataformas EP3 e EP5 terá lugar no Centro de Excelência de Geradores da Enercon, em Magdeburgo, Alemanha”, adianta.
“Lamentamos muito não poder continuar a produção em Lanheses. Esta unidade deu um contributo importante para o nosso produto, para a concretização da transição energética e, em particular, para a expansão da energia eólica em Portugal. No entanto, é essencial organizarmos a produção de forma eficaz para permanecermos competitivos. Isso inclui a decisão estratégica de fabricar os geradores da nova geração de aerogeradores no nosso Centro de Excelência”, afirma o diretor de operações da Enercon, Heiko Juritz, citado na nota.
A Enercon manifesta o seu “sincero agradecimento a todos os colaboradores da fábrica de Lanheses pela dedicação, profissionalismo e contributos significativos ao longo destes 18 anos”.
Constituído em 2001, parque empresarial de Lanheses, o maior do concelho, acolhe, para além do cluster das energias renováveis da Enercon, empresas dos mais diversos setores de atividade, desde o automóvel, distribuição e transformação alimentar, metalomecânica ou transformação de vidro.
Situado junto da A27 e do nó com a A3, o parque empresarial de Lanheses está ainda próximo do porto de mar de Viana do Castelo. O projeto do parque empresarial de Lanheses foi lançado em 2000 numa parceria entre a Associação Empresarial de Portugal (AEP), a Câmara e a Associação Empresarial de Viana do Castelo (AEVC).
Autarca segue “de perto” a situação
Entretanto, o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, disse estar a acompanhar de perto a situação, nomeadamente junto dos responsáveis pela empresa, que o informaram sobre este ajustamento da estrutura da produção “devido às atuais exigências do mercado que procuram modelos mais modernos, mais potentes e de maior rendimento”.
“A unidade de Lanheses está vocacionada para a produção de geradores destinados à plataforma EP2, que deixou de integrar o portfólio da empresa, o que motiva o encerramento das atividades da Fábrica de Geradores e Mecatrónica no final do mês de abril de 2026”, detalha em comunicado enviado às redações.

Em relação aos colaboradores envolvidos, o autarca do Alto Minho disse igualmente ter recebido a garantia da empresa de que “estão a ser desenvolvidos todos os esforços para explorar oportunidades de recolocação interna” e que “cumprirá integralmente todas as obrigações legais” associadas.
Por outro lado, salienta que o encerramento desta unidade não se estende ao chamado Centro de Excelência de Pás, em Viana do Castelo, que “continua a desempenhar um papel essencial na rede global de produção da Enercon, tendo expandido recentemente a sua capacidade, que atualmente tem cerca de 750 colaboradores”.
O SIMA – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Afins já manifestou “preocupação” com o processo, numa publicação nas redes sociais. A estrutura sindical defendeu a manutenção dos postos de trabalho e alertou para o impacto que o encerramento desta unidade poderá vir a ter na estrutura da Enercon na região.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Alemã Enercon fecha uma das fábricas em Viana do Castelo e despede 68 trabalhadores
{{ noCommentsLabel }}