Alvo espanhol da Bondalti mais que quadruplica prejuízos em 2025

Em pleno período de aceitação da oferta da portuguesa Bondalti, Ercros reportou perdas de 53,6 milhões de euros em 2025. Resultados da espanhola falharam as estimativas da administração.

A Ercros, o alvo espanhol da oferta pública de aquisição da portuguesa Bondalti, agravou em mais de 4,5 vezes os prejuízos em 2025, terminando o ano com um resultado líquido negativo de 53,6 milhões de euros, segundo o comunicado enviado pela gigante espanhola ao regulador do mercado de capitais espanhol (CNMV). A empresa liderada por Antonio Zabalta, que tem tentado convencer os acionistas a não aceitarem a oferta da química portuguesa, atribui maus resultados ao momento que o setor atravessa, mas admite enquanto persistir uma situação de excesso de oferta no mercado. A atividade vai manter-se pressionada.

A química espanhola agravou consideravelmente os seus números nos últimos dois anos, desde que foi anunciada a oferta da Bondalti, atribuindo os maus resultados a “uma procura persistentemente fraca, custos energéticos elevados e uma forte concorrência de países extracomunitários“, acrescentando que a guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos no ano passado contribuiu para um aumento da entrada de produtos asiáticos no continente.

Apesar das grandes dificuldades enfrentadas pelo setor, a Bondalti, que está a disputar o controlo da Ercros, tem conseguido manter níveis de rentabilidade positivos. Enquanto os lucros da Bondalti baixaram para 41 milhões de euros no ano passado, com um EBITDA de 71 milhões de euros, a Ercros passou de lucros de 27,6 milhões em 2023 a prejuízos de 12 milhões de euros, em 2024, prejuízos que dispararam em 2025.

E as perspetivas não melhoram. “Enquanto persistir a atual situação de excesso de oferta, os volumes, preços e margens continuarão sob forte pressão“, acrescenta a Ercros na apresentação de resultados de 2025.

O EBITDA afundou 78,7% para 6,2 milhões de euros, enquanto as receitas desceram 5,4%, passando de 700,3 milhões de euros para 662,7 milhões.

Os números reportados pela Ercros falharam as estimativas apresentadas pela própria empresa. A companhia apontava para um EBITDA entre 10 milhões e 15 milhões de euros, e adiantou que as perdas não ultrapassariam os 50 milhões de euros.

João de Mello, presidente do conselho de administração da Bondalti, diz que empresa está a oferecer pela Ercros mais do que ela vale

João de Mello, presidente da Bondalti já tinha adiantado que esperava que a Ercros apresentasse resultados “muito maus”, defendendo que uma união das duas empresas pode criar um campeão europeu no setor.

Numa entrevista a vários jornais espanhóis esta semana, o líder da empresa lusa defendeu o valor oferecido (3,505 euros) e garante que a Bondalti está a pagar “o valor máximo que resulta de uma avaliação”. “[A Ercros] não vale mais, vale menos [do que quando lançamos a oferta]”, afiança, garantindo que as condições da OPA são as que estão em cima da mesa.

“Joan Casas Galofré [que detém 6% da empresa] afirma no relatório do conselho de administração [da Ercros] que não venderá se as circunstâncias não se alterarem. Se não se alterar o quê? Quando forem publicados os resultados da Ercros, que vão ser muito maus, vai mudar de ideia? É isso que não sabemos”, atira o presidente da empresa portuguesa. “O preço que estamos a pagar já está, na nossa opinião, acima do valor da empresa”, reforçou.

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