Apreensão de notas falsas cai 20% com a de 50 euros a ganhar protagonismo pelas piores razões

O número de notas falsas apreendidas em Portugal caiu 20% em 2025, mas a nota de 50 euros destacou-se no radar do Banco de Portugal por liderar as falsificações, com um aumento de 41,6% face a 2024.

ECO Fast
  • Em 2025, Portugal registou a menor apreensão de notas de euro contrafeitas dos últimos anos, com uma queda de 20% em relação a 2024.
  • As notas de 20 e 50 euros foram as mais contrafeitas, representando 70% das apreensões, enquanto a nota de 50 euros teve um aumento de 41,6% nas apreensões.
  • Apesar da diminuição das notas contrafeitas, a probabilidade de encontrar uma nota falsa continua a existir, exigindo atenção dos cidadãos.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Em 2025, as autoridades portuguesas retiraram de circulação 8.839 notas de euro contrafeitas, o valor mais baixo dos últimos anos, que se traduziu numa queda de 20% face às 11.039 notas apreendidas em 2024.

De acordo com dados divulgados esta sexta-feira pelo Banco de Portugal, em termos de valor absoluto, trata-se da apreensão de mais de 321 mil euros, menos 18,6% face aos cerca de 395 mil euros registados no ano anterior, e menos 78% face aos 1,46 milhões apreendidos em 2023. “As denominações mais apreendidas foram as de 20 e 50 euros, que, em conjunto, representam 70% das notas contrafeitas detetadas em Portugal no ano transato”, destaca o Banco de Portugal em comunicado.

O regulador revela que Portugal continua a representar uma fatia modesta do problema europeu, notando que as apreensões nacionais equivalem a apenas 2% do total registado na área do euro e em países terceiros. Um número que, à primeira vista, pode parecer tranquilizador, mas que esconde uma mudança de padrão no modus operandis dos contrafatores.

Esse padrão diz respeito à nota que passou a estar no centro das atenções das falsificações: a de 50 euros. Enquanto em 2024 foi a nota de 20 euros a liderar as apreensões, e em 2023 esse lugar pertenceu à nota de 100 euros, em 2025 a cédula laranja tomou o topo da tabela, com o número de apreensões da nota de 50 euros a aumentar 41,6% face aos números de 2024.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

A mudança traduz uma tendência já observada noutros países europeus, onde as notas de valor médio são alvo preferencial por serem suficientemente valiosas para compensar o risco, mas usadas em transações quotidianas onde a atenção do recetor é menor.

O Banco de Portugal sublinha que “a diminuição [das apreensões] verificou‑se em todas as denominações, com exceção da nota de 50 euros”, que foi a única a registar um aumento de apreensões no último ano.

Contudo, o regulador salienta que “a quantidade de notas contrafeitas apreendidas, na área do euro e em países terceiros, é muito reduzida quando comparada com o volume global de notas de euro em circulação, que ultrapassa os 31 mil milhões.” O Banco de Portugal salienta inclusive que, no ano passado, por cada milhão de notas genuínas em circulação corresponderam apenas 14 notas contrafeitas. É “um dos níveis mais baixos desde o lançamento do euro”, salienta o regulador em comunicado.

Isto significa que a probabilidade de um cidadão se deparar com uma nota falsa no dia a dia é estatisticamente muito baixa, mas não é zero, e as consequências de aceitar uma são reais: uma contrafação não é reembolsada e a sua colocação em circulação constitui um crime.

Para se proteger de uma nota falsa, a melhor defesa continua a ser o método “Tocar – Observar – Inclinar“, recomendado pelo próprio Banco de Portugal, que não exige qualquer equipamento especial:

  • Tocar revela a textura do papel de algodão e o relevo da tinta,
  • Observar permite verificar a marca de água e o filete de segurança quando a nota é colocada contra a luz,
  • Inclinar expõe o holograma e os efeitos de cor iridescentes ao longo da nota.

O ano de 2025 fecha, assim, com o número mais baixo de apreensões em Portugal desde pelo menos 2021, numa tendência que contraria o aumento registado a nível europeu em 2024. Mas esta descida não deve ser lida como licença para a desatenção: a nota de 50 euros que circula no seu bolso pode ser a próxima a ser apreendida desde que alguém a detete a tempo.

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