Bolsa de Lisboa valoriza 7,1% em fevereiro no melhor mês em mais de três anos
A bolsa portuguesa fechou fevereiro em grande, com quase todas as ações a subirem no melhor mês desde outubro de 2022. A liderar os ganhos estiveram as ações da Nos com uma valorização de 17,5%.
- Fevereiro foi um mês notável para a bolsa portuguesa, com o índice PSI a valorizar 7,1%, quase o dobro do pan-europeu Stoxx Europe 600.
- O volume médio diário de negociação atingiu 216 milhões de euros, 26% acima da média diária dos últimos 12 meses.
- O PSI apresenta uma capitalização de 91,4 mil milhões de euros e negoceia com uma taxa de dividendo média de 3,48%.
Fevereiro foi um mês para recordar na bolsa portuguesa. Num contexto em que os mercados europeus continuam a digerir a incerteza geopolítica e as sinalizações do Banco Central Europeu sobre a trajetória das taxas de juro, o principal índice da Euronext Lisboa (PSI) destacou-se pela positiva, acumulando uma valorização de 7,1% ao longo do mês, quase o dobro do desempenho do pan-europeu Stoxx Europe 600, e inscrevendo assim o melhor desempenho mensal desde outubro de 2022.
A última sessão do mês terminou, no entanto, com pouca expressão: o PSI encerrou praticamente inalterado, com uma valorização residual de 0,09% para os 9.276,09 pontos, numa Europa que fechou em terreno misto.
A animar o índice esta sexta-feira esteve, uma vez mais, os títulos do universo EDP: as ações da EDP subiram 2,73% para 4,516 euros, enquanto a EDP Renováveis avançou 1,67% para 13,36 euros, ainda a beneficiar do impacto positivo da divulgação dos resultados anuais de 2025.
Do lado oposto, a pressionar o PSI, estiveram as ações do BCP ao recuarem 3,51% para 89,16 cêntimos, e também as ações da Semapa, que fecharam a cair 2,06% para 23,75 euros.
Ao longo de fevereiro, o PSI registou um volume médio diário de 216 milhões de euros, cerca de 26% acima da média registada ao longo dos últimos 12 meses.
Apesar do arranque pouco enérgico da semana final de fevereiro, o balanço mensal é claramente favorável para os investidores da praça lisboeta. Em todo o mês, apenas uma ação encerrou com sinal negativo – a “fava” calhou aos acionistas do BCP, cujos títulos perderam 2,94% em fevereiro.
Recorde-se que, esta semana, o banco liderado por Miguel Maya apresentou resultados históricos com os lucros de 2025 a superarem os mil milhões de euros, o valor mais elevado de sempre.
A grande estrela do mês de fevereiro foi a Nos, cujas ações dispararam 17,5%, também o melhor mês da operadora de telecomunicações desde outubro de 2022, encerrando o mês nos 5,15 euros, o valor mais elevado desde novembro de 2019.
Mas a empresa de telecomunicações não ficou sozinha nos destaques: a Mota-Engil valorizou 16,8%, a Sonae 13,8%, a REN 11,9%, a Jerónimo Martins 11,8% e a Altri ganhou 11,5%. Um conjunto de performances que ilustra bem a amplitude da recuperação vivida em fevereiro na bolsa nacional.
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.
O entusiasmo dos investidores foi visível também nos volumes de negociação. Ao longo de fevereiro, o PSI registou um volume médio diário de 216 milhões de euros, cerca de 26% acima da média registada ao longo dos últimos 12 meses – um indicador que mede o montante total de ações transacionadas por dia e que reflete o apetite do mercado.
O PSI encerra fevereiro com uma capitalização bolsista de 91,4 mil milhões de euros e a negociar com um Price-to-Earnings Ratio (PER) de 14,7 vezes – um indicador que, em linguagem simples, significa que os investidores estão dispostos a pagar 14,70 euros por cada euro de lucro gerado pelas empresas do índice.
A isto acresce uma taxa de dividendo média de 3,48%, o que significa que, em média, as empresas do PSI distribuem aos acionistas o equivalente a 3,48% do valor atual das suas ações – uma rendibilidade que compara favoravelmente com as taxas de juro dos depósitos a prazo disponíveis em Portugal.
Com fevereiro a fechar em alta e os fundamentais do índice a apresentarem uma leitura equilibrada, a questão que fica no ar é se março conseguirá manter o embalo. A agenda macroeconómica europeia, os resultados empresariais ainda a divulgar e a evolução das negociações comerciais globais serão os fatores a acompanhar de perto nas próximas semanas.
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