IAG reforça interesse na TAP após lucros recorde

O grupo dono da British Airways lucrou 5 mil milhões de euros em 2025 e confirmou que está no processo de privatização da TAP, mas só avançará se a compra "criar valor para os acionistas".

ECO Fast
  • O grupo IAG, que inclui a British Airways e a Iberia, obteve um lucro operacional recorde de 5.024 milhões de euros em 2025, superando as previsões dos analistas.
  • As receitas totais da IAG aumentaram 3,5%, impulsionadas pela procura nas classes premium, com a empresa a detetar uma quota de mercado de quase 49% nas rotas transatlânticas.
  • A IAG está interessada na privatização da TAP, mas condiciona a aquisição a termos que criem valor para os seus acionistas, aumentando a pressão sobre o governo português.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O grupo IAG, dono da British Airways, da Iberia e da Aer Lingus, registou em 2025 um lucro operacional recorde de 5.024 milhões de euros, superando em 1,1% das previsões dos analistas, e anunciou um retorno de 1,5 mil milhões de euros aos acionistas, ao mesmo tempo que reforçou o interesse na TAP.

O lucro operacional antes de itens excecionais cresceu 13,1% face a 2024, segundo um comunicado da empresa publicado esta sexta-feira, com uma margem operacional de 15,1%, situando-se no topo do intervalo-alvo fixado pelo grupo.

As receitas totais subiram 3,5%, para 33.213 milhões de euros, impulsionadas sobretudo pela procura nas classes premium nas rotas transatlânticas, onde a IAG detém uma quota de mercado de quase 49%. “Registámos mais um ano de desempenho excecional em 2025, entregando para os nossos clientes com melhorias continuadas na pontualidade e na satisfação”, destacou Luis Gallego, CEO da IAG, em comunicado.

Além dos lucros, a IAG anunciou que vai devolver 1,5 mil milhões de euros aos acionistas nos próximos 12 meses, “começando com uma recompra de ações no valor de 500 milhões de euros em maio, um aumento em relação aos mil milhões de euros anunciados em fevereiro”.

Estamos atualmente a participar no processo de alienação parcial pelo governo português da TAP, que consideramos uma oportunidade estrategicamente interessante para o grupo, mas que terá de ser feita em termos que criem valor para os acionistas da IAG.

IAG

A empresa propõe ainda um dividendo final de 228 milhões de euros, elevando o dividendo total do ano para 448 milhões de euros, um aumento de 8,9% por ação face a 2024. No comunicado, o grupo refere que o resultado por ação ajustado cresceu 22,4%, para 69,5 cêntimos.

É precisamente aqui que a TAP entra na equação. No mesmo documento, a IAG confirma de forma explícita a sua participação no processo de privatização da companhia aérea portuguesa, salientando que está “atualmente a participar no processo de alienação parcial pelo governo português da TAP, que consideramos uma oportunidade estrategicamente interessante para o grupo, mas que terá de ser feita em termos que criem valor para os acionistas da IAG”. A escolha das palavras não é neutra: a IAG quer a TAP, mas não a qualquer preço.

O desempenho financeiro agora revelado reforça o poder negocial do grupo britânico-espanhol. Com uma dívida líquida de 5.948 milhões de euros e um rácio de alavancagem de 0,8 vezes do EBITDA — muito abaixo do limite máximo de 1,8 vezes que a própria empresa fixou –, a IAG tem margem financeira para avançar com uma aquisição.

Os resultados apresentados revelam que o grupo gerou um free cash flow de 3,1 mil milhões de euros em 2025 e projeta um valor superior a três mil milhões em 2026. É com esta solidez que enfrenta a concorrência pela TAP, num processo que deverá definir o futuro da transportadora nacional.

A robustez dos resultados deve-se também a uma redução de 6,9% nos custos de combustível — de 7.608 milhões para 7.083 milhões de euros — que compensou o aumento de outros custos operacionais.

A IAG revela ainda que investiu ainda 3,4 mil milhões de euros em novos aviões, serviços ao cliente, tecnologia e infraestruturas, e prevê um crescimento de capacidade de cerca de 3% em 2026. O grupo antecipou igualmente a chegada do Wi-Fi Starlink da SpaceX à frota, com o primeiro avião da British Airways a ficar operacional em março.

Olhando para o futuro, a IAG mantém uma perspetiva positiva para 2026, com as reservas do primeiro trimestre descritas como “fortes” e o benefício adicional de uma Páscoa mais antecipada. A médio prazo, o grupo aponta para uma margem operacional entre 12% e 15% e um retorno sobre o capital investido entre 13% e 16%.

Para Portugal, a questão que fica em aberto é saber se este gigante da aviação europeia — agora mais rico, mais confiante e com os cofres cheios — está disposto a pagar o que o governo português considera justo pela TAP.

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