Investimento estrangeiro afunda 35% para mínimos de 2021, mas imobiliário bate recorde

Os estrangeiros investiram menos em Portugal em 2025, num recuo que leva indicador para o nível mais baixo em quatro anos. Só no imobiliário o entusiasmo não abrandou, com recordes nunca antes vistos.

ECO Fast
  • O investimento direto estrangeiro em Portugal caiu 35% em 2025, totalizando 8,5 mil milhões de euros, o valor mais baixo desde 2021.
  • Apesar da queda geral, o investimento no setor imobiliário aumentou 10,4%, alcançando 3,9 mil milhões de euros, o maior valor desde 2008.
  • A concentração do investimento continua a ser elevada, com a Grande Lisboa a representar 80,5% do total do stock de IDE em Portugal.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Depois de 2024 ter sido um ano de euforia, com o investimento direto estrangeiro (IDE) a atingir os 13,1 mil milhões de euros, o valor mais alto de sempre, 2025 trouxe uma ressaca considerável. O investimento do exterior em Portugal caiu 35% no ano passado, para 8,5 mil milhões de euros, o valor mais baixo desde 2021.

Os dados foram publicados esta sexta-feira pelo Banco de Portugal e confirmam uma travagem brusca nos fluxos de capital internacional que chegam ao país, mas escondem uma história diferente no mercado imobiliário, onde os estrangeiros nunca investiram tanto.

Num contexto de incerteza económica global, reorganizações de grupos empresariais e tensões geopolíticas que têm condicionado as decisões de investimento em toda a Europa, Portugal não ficou imune à tendência. Segundo o comunicado do Banco de Portugal, “as transações de IDE totalizaram 8,5 mil milhões de euros (13,1 mil milhões de euros em 2024)”, confirmando o recuo mais acentuado desde, pelo menos, o início da recuperação pós-pandemia.

A queda é, em parte, explicada pelo comportamento do investimento em instrumentos de dívida, que “foi negativo em 3,4 mil milhões de euros, refletindo, em parte, operações de reorganização de grupos económicos”, segundo a mesma nota do regulador.

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Em contraciclo com a tendência geral seguiu o investimento estrangeiro no setor imobiliário que disparou no ano passado. Segundo dados do Banco de Portugal, dos 11,9 mil milhões de euros investidos em entidades portuguesas, “3,9 mil milhões de euros corresponderam a investimento imobiliário”, um crescimento de 10,4% face aos 3,5 mil milhões registados em 2024. É o valor mais elevado de toda a série histórica do Banco de Portugal, que remonta a 2008.

Na origem do investimento que chegou a Portugal em 2025, os países europeus dominaram claramente o panorama. “Numa perspetiva de contraparte imediata, os países europeus foram os principais investidores em Portugal neste período (5,8 mil milhões de euros). Destacaram-se o Luxemburgo (1,1 mil milhões de euros), o Reino Unido (0,9 mil milhões de euros) e a Alemanha (0,8 mil milhões de euros)”, lê-se no comunicado do Banco de Portugal.

Apesar da quebra nos fluxos anuais no ano passado, o stock acumulado do investimento direto do exterior em Portugal era de 213,7 mil milhões de euros no final de 2025, cerca de 70% do PIB

Porém, estes números devem ser lidos com cautela. O Banco de Portugal faz questão de distinguir entre a contraparte imediata — o país de onde formalmente provém o dinheiro — e o investidor final, aquele que “em última instância, assume o risco e beneficia de um dado investimento”. Países como os Países Baixos e o Luxemburgo funcionam frequentemente como “intermediários”, enquanto França, EUA e Reino Unido utilizam esses mercados “como veículos para investir em Portugal”, sendo o seu peso real superior ao que os dados imediatos revelam.

O Banco de Portugal chama ainda atenção ao fenómeno do chamado round tripping — “quando o investidor final coincide com o país do investimento” –, em que capital português sai do país, circula por entidades em Luxemburgo ou nos Países Baixos, e regressa a Portugal contabilizado como investimento estrangeiro.

Ao nível da distribuição regional do investimento estrangeiro em Portugal, os números continuam a mostrar uma forte concentração. Segundo o Banco de Portugal, “no final de 2025, a Grande Lisboa era a região que concentrava o maior valor de IDE: 113,2 mil milhões de euros (105,4 mil milhões de euros em 2024)”.

Seguem-se a região do Norte com 37,2 mil milhões de euros (36,6 mil milhões de euros em 2024) e o Algarve com 21,7 mil milhões de euros (19,8 mil milhões de euros em 2024), com o Banco de Portugal a destacar que “estas regiões representavam, no seu conjunto, 80,5% do total do stock de IDE em Portugal”, e com os três territórios a apresentarem um crescimento em termos de stock acumulado face ao ano anterior, o que revela que, mesmo com menos novos fluxos a entrar, o valor acumulado do investimento estrangeiro nessas regiões continua a aumentar.

Portugal também investe lá fora

Os dados publicados esta sexta-feira pelo Banco de Portugal incluem também o investimento direto de Portugal no exterior (IPE), que apontam para que essas transações tenham totalizado 6,7 mil milhões de euros, menos 11,8% face aos 7,6 mil milhões de euros em 2024.

“Este valor é explicado pelo investimento realizado no capital de entidades não residentes, que ascendeu a 4,2 mil milhões de euros, e pelo investimento de 2,5 mil milhões de euros em instrumentos de dívida”, destaca o Banco de Portugal em comunicado.

O dinheiro português foi sobretudo para outros países europeus, com os Países Baixos a liderarem (2,3 mil milhões de euros), seguidos da Espanha (1,7 mil milhões) e da França (600 milhões de euros).

As variações contabilizadas em 2025 apontam para que o stock acumulado do investimento direto do exterior em Portugal (IDE) tenha fechado em 2025 nos 213,7 mil milhões de euros, cerca de 70% do PIB. Este valor, apesar da quebra nos fluxos anuais, reforça o peso estrutural que o capital estrangeiro tem na economia nacional e a dimensão do desafio de manter Portugal no radar dos grandes investidores internacionais num mundo cada vez mais competitivo e imprevisível.

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