Montenegro rejeita alimentar “enredo pitoresco” com Passos. “A minha tarefa é governar o país”
Antigo primeiro-ministro pediu duas vezes esta semana que Governo avance com reformas. Montenegro recusa comentar porque está focado "em governar" e diz o que esperam de si é que seja "executor".
O primeiro-ministro rejeitou esta sexta-feira alimentar um “enredo por mais pitoresco que seja” com Pedro Passos Coelho, garantindo estar totalmente “focado” nas necessidades do país. Até porque, “não falta gente” para comentar o tema, e Luís Montenegro tem uma missão – ser “executor” – e uma tarefa mais premente: “Governar”.
“A minha tarefa é governar o país, é responder àquilo que são os anseios, as necessidades e as expectativas das pessoas e das empresas. Não vou desviar-me desse foco. Estou focado nisso. É isso que as pessoas querem de mim”, afirmou o primeiro-ministro em declarações aos jornalistas, em Évora.
Esta sexta-feira, o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho desafiou novamente o Governo a implementar as reformas prometidas, defendendo que este não deve perder mais tempo para levar à Assembleia da República as medidas de transformação que apresentou ao país. Declarações que surgiram três dias após ter afirmado ser necessário que o Executivo avance com mudanças estruturais.
“Por razões conhecidas, estes últimos dois anos foram consumidos em eleições e alguma instabilidade, e, agora que esse ciclo eleitoral se fechou, está na altura de pôr em prática aquilo que foi a grande promessa com que o PSD chegou ao Governo e, para isso, é preciso agora não perder mais tempo e levar ao parlamento as transformações e programas necessários”, defendeu o antigo líder do PSD.
Instado a comentar, Montenegro considerou que a população não quer que o primeiro-ministro “seja comentador”, mas sim que “seja um executor”. “Obviamente que não falta gente para andar a comentar esse tipo de coisas”, disse.
A comentar tem tido, por exemplo, o apoio do líder parlamentar do PSD, Hugo Soares. Em duas entrevistas esta semana, o braço direito do primeiro-ministro no Parlamento saiu em defesa do Governo e considerou que o antigo primeiro-ministro está “manifestamente enganado na consequência que o Governo devia retirar [ou seja, ir a eleições] se a legislação laboral não fosse aprovada”.
“Aquilo que se exige de um primeiro-ministro é que resolva os problemas, é que se foque no essencial da sua missão e que, não ande, a alimentar um enredo por mais pitoresco que ele seja”, afirmou Montenegro. Como quem deixa o aviso, a quem lhe pede que avance com reformas, reforça: “Estamos focados em resolver os problemas das pessoas, com o processo de transformação que está em curso”.
No entanto, com a agenda de Pedro Passos Coelho a ter mais um ponto de agenda esta semana — o ex-primeiro-ministro irá participar na conferência anual do Instituto Mais Liberdade –, os recados sobre o futuro poderão não ficar por aqui.
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