Papel ‘rasga’ lucros anuais da Semapa em 33%. Dividendo mantém-se em 0,626 euros por ação
Resultado atribuível a acionistas ainda inclui o contributo da cimenteira Secil, vendida à espanhola Cementos Molins por 1.400 milhões. Administração propõe manter dividendo nos 0,626 euros por ação.
Os lucros da Semapa SEM 1,14% tropeçaram 32,7% durante o ano passado para 156,6 milhões de euros, informou a holding da família Queiroz Pereira em comunicado enviado esta sexta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A pressionar os números esteve novamente a quebra do negócio da pasta e papel.
Como reportado na semana passada, a participada The Navigator Company fechou 2025 com uma quebra de quase 50% nos lucros, justificada aos investidores por condicionamentos relacionados com a queda acentuada dos preços internacionais de pasta e papel, o aumento dos custos de energia e químicos, e a instabilidade a nível internacional.
O resultado líquido atribuível aos acionistas da Semapa inclui ainda o contributo da Secil, vendida à espanhola Cementos Molins por 1.400 milhões de euros. O acordo foi anunciado em dezembro e “o closing da transação está previsto para o final do primeiro trimestre de 2026”, tendo o grupo já estimado uma mais-valia de 400 milhões no exercício de 2026.
Tendo em conta os resultados do ano e a “ambição de continuar o ciclo de forte investimento”, o conselho de administração vai propor à Assembleia Geral de acionistas uma distribuição de dividendos às ações em circulação, relativa a 2025, no montante de 0,626 euros por ação, a que corresponde um valor total de aproximadamente 50 milhões de euros, igual ao distribuído relativamente a 2024.
Considerando o contributo da cimenteira a 31 de dezembro, o volume de negócios totalizou 2.865,2 milhões de euros, o que equivaleu a um ligeiro crescimento (0,6%) face ao período homólogo. A diminuição das vendas na Navigator (-5,7%) foi assim parcialmente compensada pela Secil (751,3 milhões, +7%) e também pelos restantes negócios (145,2 milhões, + 140%) que progrediram neste indicador “devido ao crescimento orgânico, à incorporação da Barna na ETSA e à consolidação da Imedexa desde agosto”.
Na nota enviada à CMVM, o grupo sublinha a “forte ambição” da sua estratégia de diversificação e crescimento, com um investimento total de 545 milhões de euros em aquisições, incluindo em novos negócios (participações financeiras). Com a cimenteira ainda nas contas, contabiliza uma dívida líquida remunerada de 1.266 milhões de euros no fecho do ano, acima dos 1.092 milhões em 2024.
Novamente penalizado pela performance da Navigator, inferior em 31,3% à registada em 2024, o EBITDA do grupo que reconduziu Ricardo Pires na liderança até 2027 totalizou 580,2 milhões de euros no exercício do ano passado, ficando assim 17,4% abaixo do registo homólogo.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Papel ‘rasga’ lucros anuais da Semapa em 33%. Dividendo mantém-se em 0,626 euros por ação
{{ noCommentsLabel }}