Passos Coelho volta a fazer “incentivo à mudança” mas afasta cenário de pressão política

Ex-primeiro-ministro garante que não teve “nenhuma intenção particular” em dizer publicamente que é necessário avançar com mudanças estruturais além de "contribuir para a reflexão".

O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho disse esta sexta-feira que não teve “nenhuma intenção particular” em dizer publicamente que é necessário avançar com mudanças estruturais além de “contribuir para a reflexão pública”. Depois de defender reformas para promover o crescimento de Portugal e a melhoria da qualidade de vida da população, o ex-líder do Governo esclareceu que foi apenas um “incentivo à mudança” sem pressão política.

“Não representou mais do que isso mesmo. É uma avaliação que vou fazendo para que o país tenha um desenvolvimento diferente. Cada um interpreta como quer”, afirmou Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas à margem de um evento em Coimbra. A justificação surge três dias depois de ter pedido medidas transformadoras e criticado a gestão da saúde, numa conferência da SEDES e AEP.

O antigo chefe do Executivo considera que um Governo minoritário só pode pedir apoio ao eleitorado se confrontar a Assembleia da República com as suas iniciativas legislativas e “propostas de reforma”.

“Os Governos é que sabem se têm condições para levar o seu papel adiante ou não. Quando um Governo não tem maioria, e precisa de apoio para as reformas que quer fazer, só pode confrontar o eleitorado com a necessidade de pedir apoio, que lhe é negado no Parlamento, se as propuser. Se não andar com elas para a frente não é possível dizer ‘Não me deixam fazer o que eu quero’”, referiu.

Passos Coelho considera que Luís Montenegro deve cumprir a “promessa” que fez a Portugal assim que o socialista António Costa saiu do Governo.

“Ao fim de oito anos, o tempo em que António Costa chefiou o Governo, o país esteve numa paralisia grande em matéria de transformação económica, governou-se à vista não pensar no dia a dia e não no futuro. O problema é que o futuro chegou, as pessoas não estão satisfeitas, o PS saiu do Governo e o país deu sinal claro de que queria uma mudança”, começou por dizer.

“Agora que esse ciclo eleitoral se fechou, está na altura de pôr em prática a grande promessa com que o PSD chegou ao Governo. É preciso não perder mais tempo e levar ao Parlamento as transformações, as ideias, os programas, os projetos, as reformas – chamem-lhe o que quiserem. É importante não perder esta oportunidade histórica.

Na terça-feira, durante a conferência da SEDES e AEP no Porto, o governante de 2011 a 2015 disse também que “não é um bom sinal” nomear o antigo diretor da Polícia Judiciária para a Administração Interna: “Não se pode. Tenho muita consideração pelas pessoas, acredito que a intenção do primeiro-ministro terá sido boa, mas não é bom sinal”.

O antigo primeiro-ministro não quer mais “costismo” e vê Luís Montenegro “sem coragem” para avançar com medidas estruturais. Porém, os sociais-democratas estão com o seu secretário-geral e líder do Governo e, na generalidade, existe a convicção de que Pedro Passos Passos não se vai posicionar, formalmente, contra a atual direção do partido, de acordo com a informação divulgada hoje pelo semanário Expresso.

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