Exclusivo Portuguesa Aralab arranca produção de câmaras climáticas na China e vai abrir área comercial na Europa

Empresa de Rio de Mouro iniciou fabrico na Ásia de componentes de câmaras de teste ao clima, para reduzir custos de logística, e prepara-se para abrir representação comercial no mercado europeu.

Luís Branco, CEO da AralabHugo Amaral/ECO

A Aralab, fabricante portuguesa de câmaras climáticas, está a iniciar processos de produção de componentes na China para reduzir custos de logística, diminuir prazos de entrega das encomendas para a Ásia e baixar a pegada de carbono. A empresa industrial, especializada em cabines para simular condições meteorológicas e testar prazos de validade dos produtos, começou a fabricar localmente e quer fazê-lo noutros países.

O CEO da Aralab, Luís Branco, revelou ao ECO que está a iniciar o fabrico de câmaras climáticas nas instalações dos seus clientes asiáticos. O principal objetivo é servir a indústria farmacêutica e da biotecnologia, os dois setores que mais pesam na faturação.

“Mais que uma unidade produtiva, é o processo produtivo para sermos mais competitivos. Assemblamos localmente. Se conseguirmos poupar, aproveitando algumas cadeias de fornecimento locais, com preços mais baratos e qualidade tecnológica, este é um caminho natural da Aralab para estar cada vez mais perto dos clientes, sendo essa proximidade medida não só em termos comerciais, mas também operacionais e de produção”, diz Luís Branco.

A operação que a Aralab tem no mercado chinês faz-se através da parceria com a Memmert, desde 2024, e envolve contratos com gigantes como a AstraZeneca. Dois anos volvidos, o plano é encurtar a cadeia de abastecimento, porque (ainda) precisa de atravessar o Velho Continente para levar as suas câmaras climáticas à segunda maior economia do mundo. “O mundo está cada vez mais global e precisamos de queimar algumas etapas”, sintetiza.

Transportar uma câmara de Portugal para a China, Japão ou Coreia leva um ou dois meses e, hoje em dia, o mercado já não se coaduna com isso. O cliente compra e não quer estar três ou quatro meses à espera do equipamento, portanto temos que começar a estar mais perto deles.

Luís Branco

CEO da Aralab

Fundada em 1985 pelos irmãos João e Eduardo Araújo, a Aralab tem sede em Rio de Mouro, no concelho de Sintra, e conta com cerca de 110 trabalhadores. No ano passado, o volume de negócios foi de 19 milhões de euros, devido, essencialmente, às vendas para farmacêuticas e laboratórios de biotecnologia (câmaras para plantas). A previsão para 2026 é que o crescimento da faturação seja em torno dos 10% até atingir os 22-23 milhões de euros.

“Estamos numa fase de crescimento. Ainda esta semana entraram duas ou três pessoas, porque 2025 foi um ano muito positivo em termos de pipeline de encomendas e angariámos bastante trabalho. Além de continuar a recrutar, a Aralab está a pensar noutros modelos de negócio e noutras formas de trabalhar para continuar este caminho de desenvolvimento e aposta na internacionalização”, salientou o gestor.

Luís Branco, CEO da AralabHugo Amaral/ECO

Europa vai ter representação comercial

Ao longo destes 41 anos, a atividade internacional da Aralab fez-se por exportação através de uma rede de distribuidores em cerca de 80 países. Até à segunda metade deste ano, a empresa irá abrir uma representação comercial – normalmente, a primeira etapa antes da abertura de uma filial – na Europa, adiantou ainda o CEO da Aralab, em declarações ao ECO.

“As nossas vendas são realizadas por um canal de distribuidores, os nossos parceiros, que são responsáveis pela pré-venda, promoção, comunicação e a angariação de negócio. O próximo passo de internacionalização e crescimento nos mercados externos é estarmos nós próprios presentes, com representações, nesses mercados. Isso irá acontecer, seguramente, em 2026. Penso que ainda no primeiro semestre”, referiu.

A Aralab exporta cerca de 85% das câmaras que produz a partir de Rio de Mouro. Além da farmacêutica e biotecnologia, vende para a indústria automóvel, aeroespacial ou alimentar. Na lista de clientes estão nomes como Bayer, TAP, Bosch, Continental, Airbus, Thales, Renault, Jaguar Land Rover, Fraunhofer ou Tesla.

Questionado sobre se a escolha para esta primeira representação comercial além-fronteiras vai recair sobre a maior economia da Europa, Luís Branco negou que fosse a Alemanha e deixou o anúncio para quando se tornar oficial, “daqui a algumas semanas”. “Espero que aconteça muito em breve e será dentro do espaço europeu, porque os nossos principais mercados externos são os europeus”, disse apenas.

No médio prazo, a meta é utilizar este modelo nos Estados Unidos, onde existem os mesmos obstáculos de distância e tempo superior de entrega, como na China, mas será um investimento para daqui a dois anos: “Nos Estados Unidos começámos há pouco tempo com uma parceria. Estamos a dar os primeiros passos, vão começar a aparecer algumas oportunidades de negócio… Ainda é um pouco prematuro estarmos já a evoluir para esse cenário.”

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