Revista Divergente recebe Prémio Internacional Rei de Espanha de Jornalismo

Lusa,

O podcast "Pais de Incendiários" foi premiado na categoria ambiental da edição deste ano do Prémio Internacional Rei de Espanha de Jornalismo.

A revista portuguesa Divergente foi agraciada com o Prémio Internacional Rei de Espanha de Jornalismo, na categoria ambiental, por um podcast que oferece um olhar diferente sobre o drama que encerram os incêndios em Portugal, foi anunciado esta sexta-feira.

Sofia da Palma Rodrigues e Manuel Bivar são os responsáveis por “Pais de Incendiários”, um trabalho com o qual esta publicação digital percorreu o país de norte a sul para analisar as causas sociológicas que estão por trás deste problema, com o objetivo de realizar um “retrato” da figura do piromaníaco e analisar as causas estruturais, alterações climáticas ou problemas de saúde mental, alcoolismo e insurreição contra o sistema.

O júri dos prémios, organizados pela Agência EFE e Aecid, concordou em destacar o “interessante” enfoque “pouco abordado” da reportagem, que “aprofundou” de maneira “rigorosa”, onde “ninguém sai bem”. Trata-se de um trabalho de “constante atualidade”, com um roteiro e execução “que te prende”.

A diretora de Comunicação da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid), Inés López del Pino, que presidiu o júri em representação do diretor deste organismo, Antón Leis, destacou a “absoluta atualidade” do tema tratado.

O podcast centra-se “em algo que nos está realmente a aterrorizar em cada temporada” de incêndios tanto em Portugal como em Espanha e, portanto, “é muito oportuno”, de uma “tremenda atualidade”, afirmou o vice-presidente do júri e presidente da Agência EFE, Miguel Ángel Oliver.

Sonia Pérez Marco, chefe de Comunicação e Imprensa do Instituto Cervantes e membro do júri, elogiou os testemunhos “super ricos” do trabalho, o rigor dos roteiros, o espetacular dos gráficos interativos utilizados e considerou que “põe o dedo na ferida” sobre um problema, trazendo muitos dados desconhecidos para os cidadãos.

“É uma peça redonda”, avaliou Luísa Meireles, diretora de Informação da agência portuguesa LUSA e para quem o trabalho vencedor aborda o problema de forma “muito nova” e original.

Palma Rodrigues repete como premiada, pois já conquistou o prémio especial ibero-americano de jornalismo ambiental e desenvolvimento sustentável na edição 2019-2020 pelo trabalho “Terra de todos, terra de alguns”.

Para o prémio de Jornalismo Ambiental foram apresentadas 60 propostas e a outra finalista foi “Garimpos na Amazónia estimulam tráfico sexual na fronteira com a Guiana”, um trabalho da plataforma digital Mongabay — Brasil — sobre a exploração sexual em zonas de mineração ilegal.

Um júri internacional, composto por prestigiados jornalistas, escolheu dois finalistas em cada uma das seis categorias dos prémios, dotados com 10.000 euros e aos quais concorreram 230 candidaturas de uma vintena de países. O resto do júri é composto por Laura Puertas, diretora de informação da Medcom (Panamá); Martha Ramos, diretora geral editorial do grupo OEM (México), e Carlos Lauría, diretor executivo da SIP.

Organizados pela Agência EFE e pela Aecid, estes prémios reconhecem anualmente desde 1983 o trabalho informativo dos profissionais do jornalismo em língua espanhola e portuguesa dos Estados da Comunidade Ibero-Americana de Nações e daqueles com os quais Espanha mantém vínculos de natureza histórica e relações culturais e de cooperação.

O Brasil é o país de origem de 75 das candidaturas recebidas desta vez, seguido de Espanha (55), Colômbia (28), México (22), Argentina (8), Equador (7), Portugal (6), Venezuela e Honduras (3 cada um), Peru, Estados Unidos e Angola (2 cada), e Porto Rico, Nicarágua, El Salvador e Cuba (uma cada).

Estes prémios, patrocinados pela Veolia, Iryo e RIU Hotels & Resorts, procuram a promoção do melhor jornalismo nas duas grandes línguas internacionais ibéricas, o espanhol e o português.

A entrega dos prémios, que incluem uma escultura do artista Joaquín Vaquero Turcios juntamente com 10.000 euros, será realizada num ato presidido pelo rei de Espanha, Felipe VI, em data a ser determinada.

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