S&P mantém rating mas melhora perspetiva de Portugal

  • ECO
  • 27 Fevereiro 2026

A agência manteve o rating em 'A+' mas melhorou a perspetiva de estável para positiva, destacando o crescimento económico "resiliente" e uma estratégia orçamental "prudente".

A agência norte-americana Standard & Poor’s (S&P) decidiu, esta sexta-feira, manter a notação da dívida portuguesa, mas melhorar a perspetiva para positiva, uma antecâmara do que costuma ser uma subida do rating a prazo. “Revimos a nossa perspetiva para Portugal de estável para positiva e confirmámos as nossas notações de longo e curto prazo de A+/A-1 para o soberano”, indica, em nota de imprensa.

Entre 2026 e 2029, a agência prevê que o crescimento económico de Portugal, em média, se situe ligeiramente abaixo dos 2%, apoiado por uma solidez nas finanças das famílias e das empresas e por transferências da União Europeia (UE). A S&P destaca ainda os contributos de uma imigração líquida significativa e uma estrutura de custos competitiva, incluindo preços de energia mais baixos em comparação com os seus pares da UE.

Mas deixam um alerta: “Políticas migratórias mais restritivas podem pressionar a oferta de mão-de-obra e, por conseguinte, o crescimento económico a longo prazo”. Para 2026, a S&P estima um crescimento da economia nacional de 2,2%, em comparação aos 1,9% alcançados no ano passado, à boleia dos últimos cartuchos da ‘bazuca’. Já entre 2027 e 2029, o crescimento deve ser mais “moderado”numa média de 1,7% “a menos que ocorra uma perturbação mais grave no comércio ou na oferta de mão-de-obra”.

Esperamos que as políticas continuem a centrar-se numa gestão orçamental sólida, na geração de emprego e no fomento do investimento, particularmente no setor dos serviços, em rápido crescimento”, referem. A agência destacou ainda que o crescimento económico “resiliente” e uma estratégia orçamental “prudente” vão impulsionar a trajetória descendente da dívida pública em relação ao PIB. A S&P acredita que a dívida pública desça para menos de 80% do PIB até 2027 e confia na manutenção de um superávite de 0,1% do PIB este ano.

Os custos da reconstrução, depois da passagem do comboio de tempestades pelo país, são desvalorizados. O impacto económico será “em grande parte localizado e temporário”, adianta a S&P, antes de apontar para custos diretos de 4 mil milhões de euros ou cerca de 1% do PIB, “concentrados em habitação, infraestruturas e instalações industriais”. Os apoios à reconstrução, indicam, devem acrescentar cerca de 0,3% do PIB às despesas públicas.

A S&P nota também que a economia portuguesa se mantém “relativamente protegida” do impacto das tarifas da administração Trump, uma vez que os EUA representam “apenas 7%” das exportações. “Os principais produtos afetados são os farmacêuticos — que representam um contributo muito reduzido para o PIB português —, as peças automóveis, os têxteis e o vinho, todos comercializados sobretudo na Europa. Os riscos indiretos resultam do crescimento mais fraco em economias industrializadas como a Alemanha”, indica a agência.

Perante a falta de maior parlamentar, a agência indica que mesmo no caso do orçamento ser chumbado é sempre possível manter os duodécimos ao longo d e2027, logo não antecipa uma crise política no país.

No ano passado, a S&P tinha subido, duas vezes, a notação da dívida soberana: primeiro em fevereiro, de ‘A-‘ para ‘A’, e depois para ‘A+’ no fim de agosto.

Este ano arrancou com a agência canadiana, em janeiro, a manter inalterada a notação de Portugal, depois de subir um ano antes o rating para ‘A elevado’. Em 2025, a dívida portuguesa consolidou a nota ‘A’ nos mercados internacionais. Só a agência Moody’s decidiu não mexer nem na classificação, nem no outlook. Já a Fitch reviu em alta, em setembro, para ‘A’.

(Notícia atualizada às 21h55)

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