Guterres condena ataque dos EUA e de Israel contra o Irão

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques militares dos EUA e de Israel ao Irão e a retaliação iraniana, pedindo um cessar-fogo imediato e o regresso à mesa de negociações.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou veementemente, este sábado, os ataques militares conjuntos levados a cabo pelos EUA e por Israel contra o Irão, bem como a retaliação iraniana que se seguiu. Numa publicação na rede social X, o diplomata português, que lidera a organização desde janeiro de 2017, alertou para o risco de uma escalada capaz de pôr em causa a paz e a segurança internacionais.

“Condeno a escalada militar de hoje no Médio Oriente. O uso da força pelos EUA e por Israel contra o Irão, e a subsequente retaliação do Irão na região, comprometem a paz e a segurança internacionais”, escreveu Guterres no comunicado publicado na sua conta oficial da rede social.

Os ataques, designados por “Operação Rugido do Leão” por Israel e “Operação Fúria Épica” pelos EUA, visaram instalações militares, infraestruturas e responsáveis do regime iraniano em Teerão, Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. Em resposta, o Irão disparou dezenas de mísseis balísticos contra Israel e bases militares norte-americanas espalhadas pela região, incluindo na Jordânia, Kuwait, Bahrein, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

No post deixado no X, Guterres recordou que todos os Estados-membros da ONU têm a obrigação de cumprir o direito internacional, invocando diretamente a Carta das Nações Unidas. “A Carta proíbe claramente ‘a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou de qualquer outra forma incompatível com os objetivos das Nações Unidas'”, citou o secretário-geral, sublinhando que este documento “constitui o alicerce da manutenção da paz e da segurança internacionais”.

Face à gravidade da situação, Guterres apelou ao fim imediato dos combates e advertiu para as consequências de uma eventual escalada. “Apelo a uma cessação imediata das hostilidades e à desescalada. Não o fazer arrisca um conflito regional mais alargado, com graves consequências para os civis e para a estabilidade regional.”

Guterres incentivou ainda “todas as partes a regressarem imediatamente à mesa de negociações”, reiterando que “não existe alternativa viável à resolução pacífica dos litígios internacionais, em plena conformidade com o direito internacional, incluindo a Carta da ONU”.

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