Milhares manifestaram-se em Lisboa contra o pacote laboral

  • Lusa
  • 28 Fevereiro 2026

Lisboa voltou a ouvir palavras de ordem contra a reforma “Trabalho XXI”. A CGTP exige a retirada do pacote laboral e acusa o Governo de atacar direitos dos trabalhadores.

Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em Lisboa contra o pacote laboral, classificado pelo secretário-geral da CGTP como negativo para os trabalhadores, exigindo a retirada da proposta.

Entre o Cais do Sodré e o Rossio, milhares de manifestantes gritaram contra as alterações à lei laboral e, em pouco mais de uma hora de percurso, pediram melhores condições de trabalho. “É só mais um empurrão e o pacote vai ao chão”, ouviu-se pelas ruas de Lisboa, assim como “o público é de todos, o privado é só de alguns”.

Aos jornalistas, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, sublinhou que “este pacote laboral é negativo para o mundo do trabalho e é negativo para os trabalhadores” e avisou que o Governo “sabe que tem no Chega e na Iniciativa Liberal um braço armado para dar continuidade a esta política”.

“Exigimos a retirada do pacote laboral, exigimos discutir a melhoria das condições de vida dos trabalhadores com propostas concretas de alteração à legislação que hoje está em vigor para melhorar as condições de vida de quem trabalha”, acrescentou Tiago Oliveira no início da manifestação, ainda no Cais do Sodré.

As alterações propostas pelo Governo em julho mereceram um “não” das centrais sindicais, que consideram as mudanças um ataque aos direitos dos trabalhadores.

O anteprojeto de reforma, chamado “Trabalho XXI”, foi apresentado pelo Governo de Luís Montenegro (PSD e CDS-PP) em 24 de julho de 2025 e a ministra do Trabalho já sinalizou a intenção de submeter a proposta de lei no parlamento, ainda que não se comprometa com uma data.

As alterações propostas pelo Governo em julho mereceram um “não” das centrais sindicais, que consideram as mudanças um ataque aos direitos dos trabalhadores. A oposição levou a CGTP e a UGT a avançarem, em conjunto, para uma greve geral, realizada em 11 de dezembro de 2025. As confederações empresariais, por outro lado, aplaudiram a reforma, ainda que digam que há espaço para melhorias.

Na segunda-feira, após se ter reunido com a UGT e as quatro confederações empresariais, a ministra do Trabalho indicou que, nas reuniões técnicas, “já houve algumas áreas de conciliação”, nomeadamente em matéria de parentalidade, inteligência artificial e novas tecnologias. “Mas é um consenso ao nível técnico” apenas, acrescentou Rosário Palma Ramalho, escusando-se a detalhar as medidas concretas.

Está prevista uma reunião plenária de Concertação Social para a próxima terça-feira.

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