Tensão no Golfo com ataque ao Irão ameaça novo choque petrolífero

  • ECO e Lusa
  • 28 Fevereiro 2026

Os ataques de Israel e dos EUA ao Irão ameaçam o mercado petrolífero mundial. Teerão produz 3% do crude global e pode bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial.

O ataque de Israel e dos EUA contra o Irão pode ter impacto no mercado petrolífero devido a uma potencial queda da oferta, pois o Irão tem uma produção significativa e também pode fechar o Estreito de Ormuz.

Na sexta-feira à noite, a cotação do barril de petróleo Brent (de referência na Europa, para entrega em abril) fechou o mercado de futuros de Londres em alta ao chegar aos 72,48 dólares, o valor mais alto desde há sete meses, já devido às tensões geopolíticas entre EUA e o Irão.

Fontes da missão naval europeia Aspides confirmaram que vários navios receberam transmissões de rádio dos Guardas Revolucionários iranianos a afirmar que “nenhum navio pode atravessar o Estreito de Ormuz”, segundo a Reuters.

A incerteza quanto a uma eventual decisão iraniana de encerrar o Estreito de Ormuz está a alimentar a tensão entre os armadores, com alguns já a optar por rotas alternativas.

As seguradoras marítimas começaram a cancelar as apólices e a aumentar os prémios para navios que atravessem o Golfo e o Estreito de Ormuz, após os ataques dos EUA e de Israel ao Irão. Segundo corretores citados pelo Financial Times, os custos de seguro de guerra poderão disparar até 50% nos próximos dias, refletindo o agravamento do risco na principal rota de exportação de petróleo do mundo.

A incerteza quanto a uma eventual decisão iraniana de encerrar o Estreito de Ormuz está a alimentar a tensão entre os armadores, com alguns já a optar por rotas alternativas. Especialistas alertam que o aumento dos custos e os desvios de percurso poderão provocar novos atrasos e encarecer as cadeias de abastecimento globais, num momento em que o preço do petróleo já atinge máximos de vários meses.

A agência britânica de Operações de Comércio Marítimo (UKMTO) também reportou mensagens semelhantes. Apesar de Teerão não ter confirmado oficialmente o bloqueio, o regime já ameaçou por diversas vezes encerrar esta rota estratégica que liga os principais produtores do Golfo, como a Arábia Saudita, o Irão, o Iraque e os Emirados Árabes Unidos — ao Mar Arábico.

O Irão, um dos membros fundadores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em 1960, produziu aproximadamente 3,1 milhões de barris por dia em janeiro passado, segundo fontes independentes, cerca de 11% da produção total dos 12 membros do grupo.

Dentro da aliança OPEP+, o Irão era o quarto maior produtor até 2025, atrás de Rússia, Arábia Saudita e Iraque. Já nos últimos meses foi ultrapassado pelos Emirados Árabes Unidos. Nas décadas anteriores, a produção flutuava à medida que as diversas sanções internacionais, particularmente as impostas pelos EUA contra o regime dos ‘ayatollahs’, eram intensificadas ou atenuadas.

A produção de petróleo do Irão, embora considerável, representa apenas cerca de 3% da procura global. Segundo dados da OPEP, o Irão possui a terceira maior reserva mundial, depois de Venezuela e Arábia Saudita.

Com a assinatura, em 2015, do histórico acordo nuclear com os EUA e outras potências mundiais, que proporcionou um alívio comercial significativo ao Irão em troca da limitação das suas capacidades nucleares, o setor petrolífero conheceu um grande impulso.

Até 2018, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, então no seu primeiro mandato, decidiu retirar-se do acordo e voltar a impor sanções, a produção de petróleo iraniana subiu para cerca de 3,8 milhões de barris por dia. A partir daí, voltou a descer, atingindo 2,88 milhões de barris por dia em 2023, embora tenha recuperado em 2024 para 3,2 milhões de barris por dia, nível que se manteve ao longo do ano passado.

Ainda assim, a produção de petróleo do Irão, embora considerável, representa apenas cerca de 3% da procura global. Com reservas estimadas em 208 mil milhões de barris de crude, segundo dados da OPEP, o Irão possui a terceira maior reserva mundial, depois de Venezuela e Arábia Saudita.

Os ataques lançados hoje podem provocar uma retaliação iraniana contra os campos petrolíferos dos países aliados dos EUA no Golfo Pérsico e/ou um bloqueio ao transporte de petróleo através do Estreito de Ormuz (por onde passa 20% do crude mundial).

Em 2024, aproximadamente 20 milhões de barris de crude passaram diariamente pelo Estreito de Ormuz (cerca de um quinto do comércio mundial de gás natural liquefeito também passou pelo Estreito). Esta estreita passagem entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico é também utilizada pela Arábia Saudita, o principal produtor da OPEP e atualmente o segundo maior produtor mundial, a seguir aos EUA. É também a rota de exportação de crude de outros três membros da OPEP: Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait.

Analistas estimam que a China compra quase 90% das exportações de crude iraniano, o que significa que Pequim satisfaz aí até 10% da sua procura.

No total, estes cinco países (Arábia Saudita, EUA Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait) produziram cerca de 23 milhões de barris por dia em janeiro, 22% do petróleo que o mundo necessita atualmente, segundo os cálculos mais recentes da OPEP. No ano passado, após os primeiros ataques de Israel e dos EUA, o Parlamento iraniano já tinha pedido o encerramento do estreito.

Um encerramento que poderá ter repercussões graves para a economia global, sendo a China um dos países mais afetados já que mais de 80% do petróleo e gás que transitam pelo Estreito de Ormuz destina-se aos mercados asiáticos, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

Analistas estimam que a China compra quase 90% das exportações de crude iraniano, o que significa que Pequim satisfaz aí até 10% da sua procura. Apenas a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos possuem redes de oleodutos — capazes de transportar um máximo de 2,6 milhões de barris por dia — que lhes permitem contornar o Estreito de Ormuz, de acordo com a AIE.

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