Exclusivo Passos Coelho em entrevista exclusiva: “Quando eu quiser candidatar-me, candidato-me, e anuncio que me vou candidatar”

Em entrevista exclusiva, Pedro Passos Coelho desmente intenções políticas dissimuladas, pede urgência nas reformas e defende que o Governo deveria ter tentado acordo com Chega e IL.

Leonor Gonçalves/ECO
ECO Fast
  • Pedro Passos Coelho quebrou o silêncio político de oito anos e criticou a (in)ação do Governo de Luís Montenegro.
  • O ex-primeiro-ministro considera que o Governo deveria ter tentado um acordo político com o Chega e a Iniciativa Liberal para garantir as condições que permitissem avançar com reformas estruturais.
  • Passos Coelho manifestou-se disponível para intervir publicamente, refletindo sobre o papel de Portugal na geopolítica e a insatisfação dos cidadãos.
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Depois de duas semanas intensas em intervenções públicas, e uma delas, num encontro promovido pela AEP e pela SEDES, em Matosinhos, particularmente crítica da (in)ação reformista do Governo de Luís Montenegro, Pedro Passos Coelho foi o convidado especial do encontro do 5º aniversário do instituto Mais Liberdade, em Lisboa. O país político entreteve-se, nestes dias, a falar de candidaturas e de um possível regresso de Passos à liderança do PSD, e falou-se pouco ou nada do que o ex-primeiro-ministro tinha dito sobre o país, e sobre a governação. Estaria a preparar-se para regressar à vida partidária, foi a pergunta que dominou todas as conversas, de café, dos corredores de poder e de estúdios de televisão. Em entrevista exclusiva ao ECO, a primeira em oito anos sobre a atualidade económica e política do país, que será publicada esta segunda-feira.

Passos pôs um ponto final – ou terá sido um ponto e vírgula? — na especulação que o rodeia: É evidente que não fecha portas, quando muito ficam janelas abertas para um futuro que, a existir, será resultado direto de uma qualquer crise política. “Acho natural que as pessoas possam querer especular ou ter qualquer outra associação de ideias sobre o que são as minhas intenções, ou não. Mas quando me perguntam, diretamente, sobre quais são, não vejo nenhuma razão para estar a dissimular. Quando eu quiser candidatar-me, candidato-me, e anuncio que me vou candidatar”, responde nesta entrevista ao ECO. Pedro Passos Coelho saiu da liderança do PSD há cerca de oito anos, tinha deixado de ser primeiro-ministro em 2015, e optou por um período de reserva pública, quebrado pontualmente, num lançamento de um qualquer livro ou numa iniciativa de uma faculdade, contextos em que aceitou romper essa descrição mediática. Até agora.

Nesta entrevista exclusiva, o ex-primeiro-ministro revela-se: “Estou de bem com a política e estou de bem com o país, não ando à procura de nada em particular, não tenho desforras para fazer, não tenho necessidade de querer provar ou mostrar o que quer que seja”. Mas não abdica da possibilidade de ter uma intervenção pública sempre que considerar útil. “Não ando a forçar ocasiões para fazer chamadas de atenção. Se, por qualquer razão, há uma oportunidade para o fazer e vem a propósito fazer a referência, eu faço-a. E não deixarei de o fazer por receio de que possam achar que posso vir a ser candidato a qualquer coisa. Quem está num espaço público sabe que há quem goste e há quem não goste”. O que o motiva, afinal? “As pessoas, no fundo, acham que eu contraí algumas obrigações que não se esgotaram com o meu mandato de governo. Eu compreendo que seja assim e sinto que seja assim”.

Na estratégia política, é evidente o que o separa de Luís Montenegro. Perante as dificuldades públicas e notórias de consensualizar reformas, e perante o quadro parlamentar que existe, “o Governo poderia ter optado por encontrar um quadro que pudesse ter a virtualidade de ser mais estável à partida. Não sei se seria possível, mas só quando tentamos é que sabemos. O que seria expectável é que esse quadro pudesse ser negociado dentro daquilo que chamamos a direita parlamentar, porque o país virou à direita e, portanto, claramente, há uma grande maioria no Parlamento à direita. Depois, é preciso saber se ela [a maioria] tem o mínimo de cimento ou não“. Passos admite que seria difícil, mas mesmo assim, deveria ter sido tentado. “Neste caso, ele teria de ser procurado entre o Chega e a Iniciativa Liberal. É possível construir ou não um acordo de legislatura? Eu diria: Só o tempo demonstraria se era possível ou não“.

Pedro Passos Coelho explica, pela primeira vez em público, o que motivou mais de oito anos de silêncio político, e recusa qualquer tipo de condicionamento à sua liberdade de se pronunciar publicamente sobre o que entender. E são muitas as razões que o levam a fazer agora. A urgência de reformas estruturais para pôr o país a crescer, dos sinais (que vê) de inconformismo dos portugueses, do que pode trazer (ou não) o novo Presidente da República, da União Europeia no contexto geopolítico global e do papel limitado de Portugal nesse quadro. Nesta entrevista sobre si próprio, sobre o país e o mundo, fica claro que Passos fará muito mais do que apenas andar por aí.

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