⛽ Gasóleo já subiu 10,5 cêntimos desde o início do ano. Com ataque ao Irão não fica por aqui
Analistas apontam para uma escalada de preço do ouro negro que pode chegar aos 100 dólares por barril, depois de os Estados Unidos terem atacado o Irão, em conjunto com Israel.
Esta segunda-feira, quando for abastecer espera-o um aumento de preços. O diesel, o combustível mais usado em Portugal, deverá subir três cêntimos, e a gasolina subirá dois, de acordo com os dados do ACP. O que significa que, desde o início do ano, o gasóleo já subiu 10,5 cêntimos e a gasolina 5,5 cêntimos. Mas agora que os Estados Unidos atacaram o Irão, em conjunto com Israel, os analistas apontam para uma escalada de preço do ouro negro para cerca de 100 dólares o barril – depois de terem fechado nos 72,48 dólares na sexta-feira, as cotações estão esta manhã a disparar mais de 8%, tocando já os 79 dólares.
“Embora os ataques militares em si sejam um fator positivo para os preços do petróleo, o fator-chave aqui é o encerramento do Estreito de Ormuz”, disse Ajay Parmar, diretor de energia e refinação da ICIS, citado pela Reuters.
A maioria dos armadores, as grandes petrolíferas e as empresas de trading suspenderam os envios de petróleo bruto, combustíveis e gás natural liquefeito através do Estreito de Ormuz, depois de Teerão ter avisado os navios para não usarem via navegável. Mais de 20% do petróleo mundial é transportado através do Estreito de Ormuz. “Esperamos que os preços abram (após o fim de semana) muito mais perto dos 100 dólares por barril e talvez ultrapassem esse nível se houver um encerramento prolongado do Estreito”, acrescentou Parmar.
Os líderes do Médio Oriente alertaram Washington de que uma guerra contra o Irão poderia levar os preços do petróleo a subir para mais de 100 dólares por barril, sublinhou a analista da RBC, Helima Croft, também citada pela Reuters. Já os analistas do Rabobank preveem que os preços se mantenham acima dos 90 dólares por barril no curto prazo.
A contribuir para um ligeiro alívio dos preços está a decisão deste domingo do grupo de produtores de petróleo OPEP+ de aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril. No entanto, este é um aumento modesto que representa menos de 0,2% da procura global.
Embora haja algumas alternativas para contornar o Estreito de Ormuz, o impacto líquido do seu encerramento é uma perda de oito a dez milhões de barris por dia no fornecimento de crude, mesmo após o desvio de parte do caudal pelo oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita e pelo oleoduto de Abu Dhabi, explicou o economista de energia da Rystad, Jorge Leon, citado pela Reuters.
A crise com o Irão levou também os governos e refinarias asiáticos a avaliarem os seus stocks de petróleo, bem como as rotas e fontes de abastecimento alternativas. Os analistas da Kpler afirmaram, num webinar no domingo, que a Índia poderia recorrer ao petróleo russo para compensar uma possível perda de fornecimento do Médio Oriente.
A semana passada, o gasóleo subiu 1,8 cêntimos e a gasolina 0,2 cêntimos, um comportamento ligeiramente diferente do esperado pelo mercado, que apontava para uma subida de um cêntimo do diesel e manutenção do preço da gasolina. E com a subida estimada para esta semana deverá pagar 1,630 euros por litro de gasóleo simples e 1,706 euros por litro de gasolina simples 95, tendo em conta os valores médios praticados nas bombas e divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).
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