Bolsa de Lisboa escapa a onda vermelha nas bolsas à boleia de ganhos de 7,4% da Galp

Esta segunda-feira, a Europa tremeu, o turismo sangrou e os bancos sentiram o peso do medo. Portugal não saiu ileso, mas saiu de pé e a bolsa de Telavive bateu um novo máximo histórico.

ECO Fast
  • Os ataques dos EUA e de Israel ao Irão provocaram uma forte queda nos mercados financeiros europeus esta segunda-feira, refletindo o medo de uma escalada militar no Médio Oriente.
  • O índice Stoxx Europe 600 registou a maior correção diária desde novembro, com 83% das empresas a fecharem em queda, destacando-se as perdas no setor de turismo.
  • Apesar da turbulência, a Galp Energia destacou-se em Lisboa com um aumento de 7,27% nas suas ações, beneficiando da subida do preço do petróleo e lucros recorde.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irão na no sábado deixaram os mercados financeiros em alvoroço esta segunda-feira. A onda de choque geopolítica varreu as praças europeias de lés-a-lés, com os principais índices a encerrarem em forte queda, arrastados pelo medo de uma escalada militar no Médio Oriente, uma região que continua a ser o coração do fornecimento global de petróleo.

O barril de Brent disparou cerca de 7% para os 78 dólares, alimentando ao mesmo tempo o receio dos investidores e, paradoxalmente, salvando a bolsa portuguesa de um destino mais negro.

Em Lisboa, o PSI fechou a perder apenas 0,04%, nos 9.272,47 pontos, uma queda quase simbólica quando comparada com o terramoto que sacudiu as restantes praças do continente: o francês CAC 40 recuou 2,17%, o alemão DAX cedeu 2,4% e o espanhol IBEX tombou 2,6%.

O Stoxx Europe 600, que agrega as maiores cotadas europeias, afundou 1,65%, a maior correção diária desde novembro, com o índice pan-europeia a ser penalizado sobretudo pelos setores financeiro e do consumo cíclico, com perdas médias de 2,5% e 4%, respetivamente.

Entre as 600 empresas que compõem o Stoxx Europe 600, 83% fecharam no vermelho. Entre as cotadas europeias que mais sofreram nesta segunda-feira destacam-se as empresas ligadas ao turismo e ao lazer, um setor particularmente sensível a conflitos internacionais, dado o impacto direto que a instabilidade geopolítica tem nas viagens e nas reservas.

O grupo de viagens TUI liderou as perdas, com uma queda de 9,9%, seguido da cadeia hoteleira Accor, que recuou 8,9%, e da empresa de cruzeiros Carnival, que fechou a perder 8%.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

A Galp salvou o PSI e a bolsa de Telavive sorriu como nunca

Em Lisboa, a história foi bem diferente, e tem um nome: Galp Energia. A petrolífera nacional foi a protagonista inequívoca da sessão, com as suas ações a dispararem 7,27%, a maior valorização diária desde abril de 2024, para os 19,55 euros, a cotação mais elevada desde julho desse ano.

Por detrás deste desempenho estiveram dois catalisadores simultâneos: a subida do preço do petróleo, que beneficia diretamente as receitas da empresa, e a apresentação de resultados antes da abertura do mercado, com a Galp a revelar lucros recorde de 1,15 mil milhões de euros em 2025, um crescimento de 20% face ao ano anterior. Desde o início de 2026, as ações da Galp acumulam já uma valorização de 33,6%.

A família EDP também contribuiu para amortecer o impacto negativo no PSI. As ações da EDP Renováveis, a maior empresa do índice, subiram 1,12% para os 13,51 euros, e os títulos da EDP avançaram 0,62% para os 4,544 euros, um desempenho que reflete a menor exposição das energias renováveis às turbulências do mercado do petróleo.

Os mercados financeiros não perdoam a incerteza e o Médio Oriente voltou a colocar o mundo em alerta máximo.

No lado oposto da tabela, a Semapa afundou 3,16% para os 23 euros, puxada pela “sua” Navigator, que recuou 2,97%. O BCP também não ajudou o PSI esta segunda-feira, terminando a sessão a perder 2,96%, para os 86,52 cêntimos, num sinal de que a tensão geopolítica não poupou o setor bancário português, em linha com o que aconteceu nas congéneres europeias.

A completar o pódio dos derrotados da bolsa portuguesa esteve ainda a Altri, com as ações a encerrarem a cair 2,69% para os 4,7 euros.

Enquanto a Europa afundava, a bolsa de Telavive seguiu o caminho inverso. O Tel Aviv 35 – o índice que agrega as 35 maiores empresas israelitas – valorizou 4,61%, na melhor sessão diária desde junho do ano passado, atingindo mesmo um novo máximo histórico.

O setor energético israelita foi o motor desta subida, com as empresas do setor a contabilizarem ganhos médios de 10,5%, numa lógica de mercado que pode parecer contraintuitiva mas que tem uma explicação clara: para Israel, o enfraquecimento do Irão, um rival estratégico e energético, pode traduzir-se em oportunidades geopolíticas e económicas.

No mercado obrigacionista, a sessão correu com maior serenidade para Portugal. A curva de rendimentos dos títulos soberanos portugueses registou oscilações mínimas: as obrigações a 10 anos apresentam uma yield de 3,075%, com uma subida de apenas 0,1 pontos base, enquanto as obrigações a dois anos transacionam com uma taxa média ponderada de 2,127%, após uma descida de 0,2 pontos base.

São movimentos marginais que sugerem que os investidores de dívida soberana portuguesa mantiveram a calma perante o ruído geopolítico, num sinal positivo para a perceção de risco do país.

O que esta segunda-feira deixou claro é que os mercados financeiros não perdoam a incerteza e o Médio Oriente voltou a colocar o mundo em alerta máximo. A Europa tremeu, o turismo sangrou e os bancos sentiram o peso do medo.

Portugal não saiu ileso, mas saiu de pé e deve-o, em boa medida, ao ouro negro. O que os próximos dias trarão dependerá, em grande parte, do que se passa a milhares de quilómetros de Lisboa, nos céus do Médio Oriente, onde a diplomacia e os mísseis continuam a disputar o mesmo espaço.

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