Dívida pública cresce 2,2% para mais de 280 mil milhões de euros no arranque do ano
A sustentar o aumento de 6,1 mil milhões de euros do stock da dívida pública em janeiro esteve particularmente uma emissão de obrigações sindicada e dois leilões de obrigações do Tesouro.
A dívida pública portuguesa voltou a crescer no arranque de 2026. Em janeiro, o stock total subiu 6,1 mil milhões de euros face a dezembro, o equivalente a uma subida de 2,2%, para atingir os 280,9 mil milhões de euros, segundo dados divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal.
O banco central explica que a subida foi impulsionada, sobretudo, pela emissão de novos títulos de dívida, que cresceram 5,2 mil milhões de euros. De acordo com o comunicado do Banco de Portugal, “esta variação refletiu o aumento dos títulos de dívida (+5,2 mil milhões de euros), com destaque para uma emissão de obrigações sindicada e dois leilões de Obrigações do Tesouro”.
Também os empréstimos contribuíram para o aumento, com um acréscimo de 0,6 mil milhões de euros, sendo que ambas as componentes são, como sublinha o Banco de Portugal, “maioritariamente de longo prazo”.
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Os dados revelam também que a dívida pública está também a crescer face ao mesmo período do ano anterior, contabilizando em janeiro um incremento de 2,3% em termos homólogo, o que significa que, em janeiro deste ano, o Estado português devia mais 6,3 mil milhões de euros do que há exatamente um ano, quando a dívida se situava nos 274,3 mil milhões de euros.
Os dados da dívida das administrações públicas seguem a chamada ótica de Maastricht, a definição harmonizada adotada por todos os países da União Europeia para medir o endividamento público. Esta metodologia engloba os títulos de dívida emitidos pelo Estado, como as obrigações e os Bilhetes do Tesouro, os Certificados de Aforro e do Tesouro, bem como os empréstimos obtidos pelas administrações públicas. É com base neste indicador que Bruxelas avalia a saúde das finanças públicas de cada Estado-membro.
O arranque de 2026 em alta segue um padrão típico dos inícios de ano, altura em que a agência de gestão da dívida pública (IGCP) costuma aproveitar a reabertura dos mercados para antecipar financiamento, garantindo assim uma almofada financeira para os meses seguintes. Contudo, o crescimento homólogo registado em janeiro deste ano foi o maior aumento homólogo contabilizado no primeiro mês do ano desde 2022.
O regresso a níveis acima dos 280 mil milhões de euros coloca de novo em destaque a evolução do rácio da dívida relativamente ao PIB, indicador que Portugal tem vindo a reduzir de forma consistente, que culminou num rácio de 89,7% do PIB no final do ano passado, mas que continua a ser um dos mais elevados da União Europeia.
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