BRANDS' ECO Do turismo à tecnologia: o novo ciclo económico do Algarve

  • Conteúdo Patrocinado
  • 2 Março 2026

O Algarve, tradicionalmente associado ao turismo e à agricultura, está a posicionar-se como um polo de inovação e tecnologia.

Nos últimos anos, o Algarve tem vindo a assistir a uma transformação silenciosa, mas profunda. A região tradicionalmente associada ao turismo começa a afirmar-se como um território fértil para o crescimento do setor tecnológico. Os dados do Instituto Nacional de Estatística são claros: o número de novas empresas criadas em setores de média e alta tecnologia triplicou desde 2018, passando de 127 para 375 em 2023. Entre 2019 e 2023, nasceram mais 603 novas empresas, criaram-se 1086 postos de trabalho e o Valor Acrescentado Bruto (VAB) aumentou em 64 milhões de euros. Este crescimento revela uma tendência estrutural. Atualmente, o Algarve conta com 1381 empresas de média e alta tecnologia que empregam quase 3000 pessoas e geram um VAB superior a 104 milhões de euros. 90% são de empresas de Tecnologias de Informação e Comunicação (1082 empresas e 94 milhões de euros de VAB) e isso é um sinal claro que o setor tecnológico está a enraizar-se e a tornar-se um pilar da economia regional.

Por detrás destes números está uma mudança mais profunda: o surgimento de um ecossistema de inovação que começa a ligar empresas, universidades, centros de investigação e empreendedores numa dinâmica coletiva. Um exemplo destas dinâmicas é o Algarve Tech Hub Summit, uma conferência internacional que junta startups, investidores, investigadores e decisores políticos para debater o futuro da região. Mais do que uma conferência, tornou-se um ponto de encontro estratégico para acelerar a transição do Algarve para uma economia baseada no conhecimento. Destas iniciativas estão a sair empresas que já competem no panorama global, e em 2025 o Algarve vai pela primeira vez ter uma presença institucional na Web Summit, a grande conferência tecnológica mundial, onde estão mais de 20 start-ups Algarvias a mostrar a capacidade de invocação regional.

Joaquim Nascimento é CEO da Kapisci, Professor Auxiliar Convidado na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve e Presidente da associação Algarve Evolution

Esta dinâmica é reforçada por uma conjuntura financeira favorável. O novo programa Algarve 2030 coloca à disposição da região cerca de 780 milhões de euros de fundos europeus, um montante quase o dobro dos programas anteriores. O plano define a inovação e competitividade como eixo central de desenvolvimento, alinhando-se com as prioridades da transição digital e verde da União Europeia. Trata-se de uma oportunidade sem precedentes para consolidar o que até aqui tem sido construído de forma incremental.

Se a década anterior foi marcada pela consolidação de uma identidade turística global, esta pode ser a década da diversificação económica inteligente. A tecnologia, a ciência e a inovação não são apenas setores emergentes, mas também instrumentos de modernização transversal que podem transformar as cadeias de valor regionais. Desde a digitalização do turismo e da hotelaria até à biotecnologia marinha, à inteligência artificial aplicada à saúde e às indústrias criativas, o Algarve tem potencial para combinar qualidade de vida com inovação de ponta.

Mas concretizar este salto exige ação coordenada. As condições estão reunidas: talento qualificado, ligação entre o mundo académico e empresarial, capital humano internacional, empresas inovadoras e um volume significativo de financiamento disponível. Falta, contudo, transformar potencial em escala, conectando as várias iniciativas dispersas e criando massa crítica. É necessário que as autarquias, as empresas e as entidades públicas regionais olhem para a inovação como prioridade transversal, apostando na atração e retenção de talento, no apoio à incubação e aceleração de startups e na criação de infraestruturas digitais avançadas.

O Algarve já demonstrou que sabe reinventar-se. Agora, precisa de consolidar uma nova narrativa: a de uma região de conhecimento, inovação e tecnologia, capaz de competir com os melhores pólos europeus. A trajetória recente mostra que o crescimento não é uma coincidência, mas o resultado de um ecossistema que começa a amadurecer. O desafio que se coloca é não perder o momento. As oportunidades são finitas e os fundos disponíveis têm um horizonte temporal curto. Se a região conseguir agir de forma estratégica, colaborativa e focada, o Algarve pode deixar de ser visto apenas como destino turístico e afirmar-se como um polo de inovação e tecnologia à escala europeia.

O tempo de agir é agora. As bases estão lançadas, e o futuro depende da capacidade coletiva de transformar este impulso em desenvolvimento sustentável e duradouro.

Este artigo expressa apenas a opinião do seu autor, não representando a posição das entidades com as quais colabora.

Joaquim Nascimento é CEO da Kapisci, Professor Auxiliar Convidado na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve e Presidente da associação Algarve Evolution. Licenciado em Economia no ISEG e MBA na Manchester Metropolitan University.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Do turismo à tecnologia: o novo ciclo económico do Algarve

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião