Lucro recorde da Galp dá segundo maior dividendo. Estado vai encaixar 40 milhões
A petrolífera registou um lucro recorde de 1,15 mil milhões em 2025 e aumentou o dividendo para 0,64 euros. Remuneração acionista é, contudo, a segunda maior de sempre após a polémica de 2019.
O Estado português – através da participação de 8,24% via a Parpública – deverá receber 39,72 milhões de euros em dividendos da Galp pelos lucros que a petrolífera apresentou esta segunda-feira para o exercício de 2025. Apesar de o lucro de 1,15 mil milhões de euros representar um recorde histórico, o valor a pagar aos acionistas não vai atingir um novo máximo, mesmo com um possível aumento de 4% no dividendo por ação.
A Galp lucrou 1.154 milhões de euros em 2025 – 20% face aos 961 milhões do ano anterior – e novo valor recorde para a empresa. Os melhores resultados, até ao momento, haviam-se registado em 2023, ano no qual a Galp chegou aos 1.002 milhões de euros.
A administração da Galp vai propor à Assembleia Geral (AG) Anual um aumento de 4% no dividendo por ação, para 0,64 euros, sendo que já antecipou um primeiro dividendo intercalar 31 cêntimos por ação, em agosto do ano passado. A subida no dividendo será complementada por um programa de recompra de ações no montante de 250 milhões de euros que terá início em março de 2026, prevê a empresa.
Com 62.061.975 ações, a Parpública é a segunda maior acionista direta da Galp depois da Amorim Energia com 36,69%. Caso a proposta da administração liderada pelos co-CEO João Diogo Marques da Silva e Maria João Carioca seja aprovada na AG de 8 de maio, a gestora das participações do Estado irá receber um total de 39,72 milhões, que apesar do lucro recorde irá representar apenas o segundo maior encaixe de sempre depois.
O maior até à data aconteceu em relação ao exercício de 2019, quando a Galp ofereceu um dividendo de 0,70 euros por ação, num total de 40,3 milhões para o Estado.

Dividendo chegou a São Bento
A proposta relativa ao exercício de 2019 no qual a Galp registou resultados líquidos de 560 milhões de euros – uma queda de 21% face ao exercício do ano anterior – acabaria por ser aprovada em reunião magna, mas não sem antes ser motivo de polémica, inclusive no Parlamento.
Meras semanas após o anúncio da proposta de remuneração acionista chegava a pandemia de Covid-19, que colocou a economia mundial em suspenso e castigou os preços do petróleo. A Galp manteve inalterada a proposta de oferecer 0,70 euros por ação, mas a administração liderada na altura por Carlos Gomes da Silva explicou no final de março de 2020 que iria “avaliar oportunamente o modo de enquadrar aquela política numa nova realidade”. Fruto dessa avaliação, acabou por abandonar a promessa de aumentar o dividendo bruto em 10% por ano até 2021.
Em plena crise pandémica, o assunto chegou à Assembleia da República. Num artigo de opinião, a coordenadora do Bloco, Catarina Martins, desafiou o Governo chefiado por António Costa a votar contra o pagamento de dividendos na reunião de acionistas da cotada.
A bloquista pedia ainda ao Executivo socialista que utilizasse a posição na estrutura acionista da Galp para defender a reintegração dos trabalhadores precários entretanto despedidos pela empresa durante a crise sanitária, sublinhando que foram despedidos mais de 80 trabalhadores precários, só em Sines, segundo denúncia do sindicato do setor.
Questionado no Parlamento, António Costa justificou que não existiam razões para travar os dividendos numa empresa que não tinha pedido apoios ao Estado. “O Estado fica muito satisfeito de receber a sua quota parte de dividendos a que tem direito e que é útil para financiar a atividade do Estado“, disse, dando assim a bênção ao pagamento de dividendos que acabaria por ser aprovado pelos acionistas e com isso permitindo ao Estado encaixar 40,3 milhões de euros.
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