“Mais do que uma conversa”. Galp diz que já prestou toda a informação ao Governo sobre plano com Moeve
Co-CEO diz ao ECO que Galp já teve reuniões com ministro da Economia e ministra da Energia para explicar o racional do plano de fusões com a espanhola Moeve. "Prestámos toda a informação".
A liderança da Galp já teve “mais que uma conversa” com o Governo para explicar o “racional” do acordo que pretende celebrar com a espanhola Moeve para fundir os negócios de refinação e comercialização de combustíveis, revelou esta segunda-feira ao ECO o co-CEO da petrolífera portuguesa, João Diogo Marques da Silva.
“Temos uma relação bastante próxima com o Governo e por isso tem havido diálogo“, referiu, numa conversa telefónica no dia da apresentação dos resultados da Galp. “Já tivemos mais que uma conversa com membros do Governo, e nas quais tivemos oportunidade de explicar o racional do potencial“.
A Galp e os acionistas da Moeve — a Mubadala Investment Company e o The Carlyle Group — anunciaram a 8 de janeiro que chegaram a um acordo não vinculativo para avançar com discussões detalhadas sobre a potencial fusão dos seus portefólios de downstream e criar “duas empresas líderes de energia na Península Ibérica: a RetailCo e a IndustrialCo”.
A petrolífera portuguesa informou que, havendo acordo, ficará com cerca de 50% da nova plataforma de retalho (a RetailCo) com 3.500 estações de serviço na Ibéria e pelo menos 20% da empresa industrial a ser criada para a refinação e o trading (a IndustrialCo).
Numa primeira reação, a 13 de janeiro, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou que “estamos conscientes das vantagens e possíveis desvantagens, mas estamos convencidos que vai ser positivo”, respondendo sobre uma eventual preocupação de que este negócio afete a soberania energética nacional — um dos pressupostos em cima da mesa é que a Galp ficará com 20% da entidade que juntará os ativos industriais das duas petrolíferas, o que inclui a refinaria de Sines –, respondeu: “Nós ganhamos o controlo de duas outras [refinarias]”.
Passados oito dias, Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e Coesão Territorial, afirmou que “era melhor termos uma refinaria totalmente controlada por Portugal”, sublinhando que a refinaria Sines tem um peso na economia e soberania relevante e que a Galp está ciente disso. O Governo tem de acompanhar as negociações e preservar o máximo da soberania em matéria energética referiu também o ministro, em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios.
Validação de due diligence antes do verão
Esta segunda-feira, João Diogo Marques da Silva sublinhou que “é natural que o Governo se interesse pelo assunto e por isso [as conversas] foram oportunidades para explicarmos a escala e a competitividade que o acordo nos vai trazer, nomeadamente para Sines, que é uma infraestrutura onde fizemos investimentos nos últimos anos para fortalecer e dar longevidade”.
Questionado pelo ECO com que ministros se tinha reunido, o co-CEO respondeu que tinham reunido em ocasiões separadas com Castro Almeida e Maria da Graça Carvalho. “Prestámos toda a informação e o creio que ficaram satisfeitos por isso“.
Marques da Silva adiantou que, neste momento, as duas partes “estão a fazer due diligence técnica e financeira para uma validação final em meados deste ano, antes do verão, diria”. Depois desse signing, o passo seguinte é submeter o pedido de aprovação às autoridades competentes para fechar a transação definitiva até final ano, acrescentou.
O co-CEO confirmou ainda que, na parte da comercialização, a marca em Portugal continuará a ser Galp e em Espanha Moeve.
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