Preços do gás natural na Europa disparam quase 50% com paragem da produção no Qatar
O Qatar é o segundo maior exportador mundial de gás natural liquefeito, atrás apenas dos Estados Unidos. Estatal QatarEnergy prestes a declarar 'force majeure' após ataque iraniano,
Os preços dos contratos de gás natural neerlandeses, que são referência na Europa, disparam quase 50% esta segunda-feira após a QatarEnergy, importante exportadora de gás natural liquefeito (GNL), ter anunciado que interrompeu a produção devido a ataques lançados pelo Irão.
O contrato holandês para o mês seguinte no hub TTF, considerado um preço de referência para a Europa avança quase 50%, ou 15,976 euros, para 47,935 euros por megawatt-hora (MWh) segundo dados da ICE. O contrato britânico de abril ganha 43,96 pence, para 122,53 pence por termia.
O Qatar denunciou um ataque com drones lançado pelas forças iranianas contra infraestruturas energéticas no país, entre elas uma central elétrica, pouco depois de ter advertido que Teerão “terá de pagar o preço” pelos ataques na região. O ministério da Defesa do Qatar indicou que um drone atingiu um reservatório de água de uma central elétrica na cidade de Mesaieed, enquanto um segundo aparelho provocou danos numa instalação energética na cidade industrial de Ras Laffan, pertencente à empresa petrolífera estatal QatarEnergy.
O Qatar, que em breve consolidará o seu papel como o segundo maior exportador mundial de GNL, atrás apenas dos Estados Unidos, desempenha um papel importante no equilíbrio da procura de GNL nos mercados asiático e europeu. Uma fonte com conhecimento do assunto disse à Reuters que a QatarEnergy está prestes a declarar force majeure nas remessas de GNL.
Cerca de 20% do GNL mundial passa pelo Estreito de Ormuz e uma suspensão prolongada ou encerramento total aumentaria a concorrência global por outras fontes de gás, fazendo subir os preços a nível internacional.
A Europa precisa de importações de GNL para ajudar a encher os seus depósitos de gás, que ficaram esgotados durante o inverno e estão atualmente com cerca de 30% da sua capacidade, segundo os dados mais recentes da Gas Infrastructure Europe. O grupo de coordenação do gás da União Europeia reunir-se-á na quarta-feira para avaliar o impacto do conflito crescente no Médio Oriente, informou um porta-voz da Comissão Europeia à Reuters. O grupo de coordenação inclui representantes dos governos dos Estados-Membros e monitoriza o armazenamento de gás e a segurança do abastecimento na UE e coordena medidas de resposta durante crises.
“As perturbações no fluxo de GNL reacenderiam a concorrência entre a Ásia e a Europa pelas cargas disponíveis”, afirmou Massimo Di Odoardo, vice-presidente de research de gás e GNL da consultora de matérias-primas Wood Mackenzie. Os preços já estavam cerca de 25% mais altos no início do dia, mas ampliaram os ganhos após a interrupção da produção da QatarEnergy.
Os preços de referência do GNL asiático subiram quase 39% na manhã de segunda-feira, com o S&P Global Energy Japan-Korea-Marker (JKM), amplamente utilizado como referência asiática para o GNL, a 15,068 dólares por milhão de unidades térmicas britânicas (mmBtu), segundo dados da Platts.
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