Zurich compra Beazley por 9 mil milhões
A companhia suíça precisa de mais capital e de utilizar reservas de caixa para comprar a seguradora Beazley por 9,3 mil milhões de euros, uma das maiores operações da década nos seguros.
A seguradora Zurich Insurance anunciou esta segunda-feira o lançamento de uma colocação privada de novas ações, no valor aproximado de 3,9 mil milhões de francos suíços (cerca de 4,3 mil milhões de euros), com o objetivo de financiar parcialmente a aquisição da seguradora britânica Beazley.
Em 2 de março de 2026, a Zurich tinha comunicado, em conformidade com o UK Takeover Code, que os acionistas da Beazley teriam direito a receber 1,335 pence por ação, incluindo 1,310 pence em numerário e um dividendo permitido de 25 pence por ação, referente ao exercício de 2025 e previsto para pagamento em 1 de maio de 2026.
Com a operação confirmada, as ações da Beazley fecharam esta segunda-feira na bolsa de Londres a 1,291 pence por ação correspondente a um valor de mercado de 8,6 mil milhões de euros.
A Zurich tinha acordado os termos de uma oferta em dinheiro para adquirir a totalidade do capital da seguradora britânica Beazley, numa operação avaliada em cerca de 9,3 mil milhões de euros e pretende criar um dos maiores grupos globais de seguros especializados.
O financiamento da operação será assegurado através de uma combinação de cerca de 2,6 mil milhões de euros em caixa, 2,5 mil milhões em nova dívida e aproximadamente 4,3 mil milhões de euros através do aumento de capital e colocação acelerada de ações.
Colocação acelerada de ações
A colocação acelerada (accelerated bookbuild) envolverá ações ordinárias recém-emitidas da Zurich, com valor nominal de 0,10 CHF por ação, correspondendo a cerca de 4,6% do capital social atualmente emitido da seguradora. O preço final e o número exato de ações serão definidos ao término do processo de bookbuilding, esperado antes da abertura do mercado em 3 de março de 2026.
A operação será direcionada exclusivamente a investidores profissionais na Suíça e a investidores qualificados em determinados mercados internacionais. As novas ações deverão ser listadas e admitidas para negociação na SIX Swiss Exchange por volta de 5 de março de 2026, com liquidação prevista para a mesma data.
Impacto financeiro e capital
Do ponto de vista financeiro, a Zurich prevê que a operação faça aumentar o lucro por ação (EPS) desde o primeiro ano, com um impacto positivo na casa de meio dígito percentual, e que gere retornos de investimento de dois dígitos ao longo do tempo.
A transação deverá também apoiar os objetivos financeiros definidos pela companhia suíça para o período 2025-2027, que incluem um crescimento anual composto do EPS superior a 9%, um ROE acima de 23% e remessas de caixa acumuladas superiores a 19 mil milhões de dólares.
Após a operação, a Zurich estima que o seu rácio SST (Swiss Solvency Test) diminua cerca de 30 pontos percentuais, enquanto o rácio de alavancagem segundo a Moody’s deverá subir cerca de três pontos percentuais, mantendo ainda assim uma posição de capital considerada forte.
Um volume de 15 mil milhões apenas em seguros especializados
As duas plataformas são consideradas complementares no segmento de seguros especializados. Numa base pro forma, o grupo combinado representaria cerca de 15 mil milhões de dólares em prémios brutos emitidos neste segmento, com base nos dados de 31 de dezembro de 2024.
A Zurich gerou, por si só, cerca de 9 mil milhões de dólares em prémios em seguros especializados em 2025, pelo que a integração da Beazley permitirá reforçar significativamente a escala global neste negócio.
A seguradora suíça estima poupanças anuais recorrentes antes de impostos de cerca de 150 milhões de dólares até 2029, além de sinergias de capital relevantes, incluindo cerca de mil milhões de dólares de extração de capital num prazo de dois anos após a conclusão da operação.
Além das eficiências de custos, o grupo espera oportunidades adicionais de receitas superiores a mil milhões de dólares por ano no médio prazo.
Uma das maiores operações dos últimos 10 anos
A aquisição será realizada através de um “scheme of arrangement”, aprovado em tribunal, dependendo ainda da aprovação de acionistas e autoridades regulatórias e de concorrência. A conclusão da operação é esperada na segunda metade de 2026.
Fica na lista das maiores operações de sempre, após a aquisição ACE Limited pela Chubb Limited por cerca de 29,5 mil milhões de dólares em 2016, a compra da Jardine Lloyd Thompson pela Marsh McLennan por 5,6 mil milhões de dólares, concluída em 2019 e a frustrada tentativa de aquisição da Willis Towers Watson (WTW) pela Aon por cerca de 30 mil milhões de dólares, anunciada em 2020 mas abandonada em 2021 após oposição regulatória.
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