40% dos habitantes de Melilla e 33% dos habitantes de Ceuta declaram-se «muito insatisfeitos» com o seu sistema de saúde pública

  • Servimedia
  • 3 Março 2026

De acordo com um estudo realizado pela Ipsos.

A saúde pública em Ceuta e Melilha está quase a ser reprovada, de acordo com um estudo realizado pela Ipsos entre a população residente nas duas cidades autónomas. Mais concretamente, 40% dos habitantes de Melilha e 33% dos de Ceuta declaram-se «muito insatisfeitos» com o seu funcionamento.

Este nível de insatisfação reflete-se nos padrões de utilização do sistema de saúde público. A utilização do sistema concentra-se principalmente nos cuidados de saúde primários, com uma utilização mensal de 20% em Ceuta e de 27% em Melilha, enquanto os cuidados especializados e hospitalares são significativamente menores.

Assim, mais de 60% da população de Ceuta e Melilha afirma «quase nunca» recorrer aos cuidados especializados do sistema público, percentagens que sobem para 75% em Ceuta e 84% em Melilha no caso dos cuidados hospitalares.

De acordo com os resultados do estudo, este padrão de utilização está associado a dificuldades percebidas no acesso aos serviços de saúde, ligadas a fatores como atrasos na assistência, barreiras de acesso e listas de espera, especialmente nos níveis de assistência de maior complexidade do sistema de saúde público em ambos os territórios.

A saúde pública de Ceuta e Melilha é gerida através do Instituto Nacional de Gestão Sanitária (Ingesa), organismo adscrito ao Ministério da Saúde, ao contrário do resto das comunidades autónomas, onde a gestão sanitária é transferida para os governos autónomos.

SISTEMA OBSOLETO

A análise detalhada dos diferentes aspetos da saúde pública mostra que os níveis de insatisfação dos cidadãos estão associados principalmente à avaliação de determinados elementos do funcionamento do sistema.

A diretora de Opinião Pública da Ipsos, Silvia Bravo, indicou que «os tempos de espera para consultas médicas, exames diagnósticos ou intervenções cirúrgicas são o aspeto mais mal avaliado: 66% em Ceuta e 59% em Melilha classificam-nos de forma negativa. Também recebem avaliações desfavoráveis a disponibilidade de recursos, a tecnologia e a digitalização dos cuidados».

A isto acrescentam-se as dificuldades percebidas no acesso aos profissionais de saúde, entendidas como acessibilidade administrativa e organizacional, uma das áreas com maior nível de avaliação negativa em ambas as cidades, com 41% de opiniões desfavoráveis em Melilha e 30% em Ceuta.

FATOR HUMANO

Em contraste com estes aspetos, os elementos relacionados com o pessoal de saúde concentram as avaliações mais favoráveis.

Em Ceuta, a capacitação do pessoal de enfermagem e o tratamento pessoal recebido obtêm 73% e 76% de avaliações positivas, respetivamente, enquanto a capacitação dos médicos atinge 65% de classificações acima de 7. Em Melilha, destacam-se os mesmos aspetos com números semelhantes.

A avaliação média global do sistema de saúde público situa-se em 5,4 em 10 em Ceuta e em 4,9 em Melilha, refletindo uma perceção dos cidadãos que oscila entre o aprovado com nota mínima e o reprovado, de acordo com a escala utilizada no estudo.

O estudo sobre a «Perceção da saúde pública em Ceuta e Melilha» foi realizado pela Ipsos através da metodologia CATI (por telefone), com uma amostra de 400 entrevistas representativas da população com mais de 18 anos residente em ambos os locais.

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