Apostadores suspeitos lucram 330 mil dólares a ‘prever’ ataque dos EUA ao Irão

Um conjunto anormal de apostas de valores expressivos foram colocadas na plataforma Polymarket prevendo o início do ataque dos EUA ao Irão.

O jornal Financial Times detetou um conjunto anormal de apostas na plataforma Polymarket que previram com exatidão o dia do ataque dos EUA ao Irão, lucrando 330 mil dólares. A publicação britânica identificou 13 contas suspeitas, 12 das quais criadas dias antes do ataque, que apostaram 66.993 dólares em como a operação militar iria começar no passado sábado.

De acordo com o jornal, cerca de metade das apostas em causa surgiram nas seis horas antes do ataque e a esmagadora maioria num período de 24 horas. Significa que estes apostadores colocaram em risco quantias relativamente avultadas na expectativa de um evento que teria, necessariamente, de acontecer dentro de um dia.

A plataforma Polymarket, que se apresenta como “o maior mercado de previsões do mundo”, permite apostar em eventos da atualidade, como a queda do regime iraniano antes do dia 30 de junho (nesta terça-feira, os apostadores atribuíam 36% de chance de isso acontecer), ou a evolução do preço da bitcoin num período de cinco minutos.

Esta bolsa de apostas tem sido alvo de polémica em Portugal, onde a legislação apenas permite apostas em desporto, casino e corridas de cavalos — sobretudo depois de o ECO ter noticiado que o site permitia apostar no resultado das eleições Presidenciais portuguesas. Desde então, o acesso ao Polymarket em Portugal tem estado fortemente condicionado, numa ação deliberada da parte das operadoras, decretada pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos nacional.

O caso identificado pelo FT suscita fortes suspeitas de que apostadores com informação privilegiada sobre o ataque dos EUA contra o Irão — que resultou na morte do líder supremo iraniano, Ayatollah Ali Khamenei — terão aproveitado essa vantagem para lucrarem num mercado que permite o anonimato e o pagamento com criptomoedas. O caso é especialmente grave por envolver uma operação militar, em que o fator surpresa é determinante para que a mesma seja bem-sucedida.

Apostas com informação privilegiada têm-se tornado cada vez mais comuns, suscitando o aparecimento de comunidades online focadas em identificar e imitar esses apostadores, denuncia o Financial Times. Segundo advogados consultados pelo jornal britânico, apostar com informação privilegiada, mesmo num mercado de previsões, pode constituir crime.

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