Combustíveis devem aumentar dez cêntimos na próxima semana após ataque ao Irão
“Na próxima semana já haverá aumentos consideráveis” nos combustíveis, avisou a vice-presidente da Anarec, afirmando que não há razão para pânico porque “não haverá, para já, falta" no país.
O conflito no Médio Oriente vai “refletir-se de forma inevitável” no preço dos combustíveis, diz Mafalda Trigo, antecipando que o aumento na próxima semana deverá o gasóleo deverá subir dez cêntimos.
“Na próxima semana já haverá aumentos consideráveis” nos combustíveis, disse a vice-presidente da Anarec, em entrevista à RTP Notícias. Quanto ao gás natural, não será tão imediato, decorrerá mais tempo até se refletir no preço. Mas será inevitável que vá aumentar de forma considerável”, acrescentou.
“Apesar de só sexta-feira é que se irá ter uma noção concreta de quanto é que os combustíveis vão aumentar”, um aumento que é aplicado a partir de segunda, a responsável antecipa “uma subida de dez cêntimos no diesel”. Esta subida irá somar-se à de três cêntimos que se verificou esta semana.
Já quanto ao gás não avança valores porque esta matéria-prima “não sofre os efeitos de forma tão imediata”. “Mas com esse ambiente em termos internacionais é impossível que não venha a aumentar também”, disse.
Apesar da duração do conflito poder ser determinante para avaliar os impactos do conflito na economia nacional, Mafalda Trigo considera que a partir do momento em que “existe uma instabilidade os preços vão aumentar”. No entanto, sublinha que não se pode falar de escassez.
“Não existe risco de rutura em Portugal”, avisou a vice-presidente da Anarec, alertando para a desnecessidade de haver pânico porque “não haverá, para já, falta de produto em Portugal e na UE em geral, porque existem, reservas para dois a três meses”, sublinhou.
A vice-presidente da Anarec considera a situação “mais preocupante do que na altura da guerra na Ucrânia”. “Se o estreito de Ormuz de facto fechar isso pode trazer problemas graves a médio/longo prazo. O Qatar é o segundo maior produtor mundial de gás natural e se as exportações forem bloqueadas, não sabendo nós durante quanto tempo, isso pode ter um impacto muito prejudicial para toda a União Europeia, um dos principais mercados de exportação do Qatar”, explicou Mafalda Trigo. A responsável garante que podem ser encontradas fontes alternativas de abastecimento através da América do Norte ou do Sul, “há uma série de hipóteses para ultrapassar o produto que vem do Médio Oriente”, mas isso terá sempre um maior custo de transporte.
Aumentando os preços da energia isso terá um reflexo na taxa de inflação porque impacta nos preços de todos os produtos. E posteriormente isso poderá traduzir-se numa necessidade de aumentar as taxas de juro, porque do Banco Central Europeu, para que a taxa de inflação se mantenha na casa dos 2%. As subidas de juro travam a inflação por via de um arrefecimento da economia, ou seja, crescer menos.
Mafalda Trigo sublinha que os revendedores de combustíveis, antes deste ataque concertado dos EUA e Israel ao Irão já defendiam medidas de apoio aos combustíveis porque a taxa de carbono e o ISP são demasiado elevados. “Num momento em que o produto está em alta haverá um aumento de receita através do IVA. O Governo poderia transferir essa receita adicional baixando o ISP e a taxa de carbono”, sugeriu a responsável. Ou seja, replicar o modelo que já foi aplicado.
O ministro da Economia e da Coesão Territorial já disse que o Executivo “estará sempre atento e a obrigação do Governo é estar atento para tomar, em cada momento, medidas adequadas para garantir que a economia funcione, que as pessoas tenham condições de vida e que as finanças públicas possam estar equilibradas”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros já deu um passo em frente e, em entrevista à CNN, na terça-feira, disse que “o Governo está a tratar dessa frente”. Questionado sobre os impactos económicos da guerra e o efeitos nos preços dos combustíveis, Paulo Rangel disse: “Obviamente vai ter um impacto económico. Se se vai refletir desta ou daquela maneira não sei, mas impacto económico positivo é que não tem. Terá com certeza negativo. Também teremos de estar preparados para isso. O Governo também está a tratar dessa frente”.
(Notícia atualizada com mais informação)
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