Gás natural dispara 30% e bolsas mergulham. Como o conflito no Médio Oriente está a abalar os mercados
A continuação dos ataques na região está a impulsionar os preços das matérias-primas energéticas, com a cotação do gás natural a saltar mais de 30% na Europa para o nível mais elevado em três anos.
O ataque ao Irão voltou esta terça-feira a impulsionar a cotação das matérias-primas energéticas e a penalizar as bolsas, perante o alargamento do conflito e o risco de se prolongar por várias semanas.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu na segunda-feira à noite “fazer tudo o que for preciso” no Irão e já esta manhã dois drones atingiram o Bairro Diplomático de Riade, onde se situa a embaixada americana na Arábia Saudita. Israel avançou com uma incursão terrestre no sul do Líbano contra Hezbollah.
O Brent, que serve de referência para as importações europeias, sobe esta manhã 4,3% para a casa dos 81 dólares por barril, o preço mais elevado em cerca de um ano. Antes do ataque dos EUA e Israel ao Irão cotava nos 72,48 dólares. Nos EUA, o West Texas Intermediate, sobe 3,9% para 74 dólares, o nível mais alto deste junho do ano passado.
A cotação do gás natural está a disparar pelo segundo dia consecutivo nos mercados europeus, numa altura em que as exportações do Qatar continuam suspensas. O preço já chegou a subir 36% esta manhã para os 58 euros por MWh, o nível mais elevado desde janeiro de 2023, antes de aliviar para os 54 euros por MWh, segundo dados da Trading Economics. Na sexta-feira cotavam nos 31,85 euros.
Evolução da cotação do gás natural nos últimos seis meses

Um comandante da Guarda Revolucionária do Irão afirmou que o Estreito de Ormuz, por onde é transportado cerca de 20% do petróleo e do gás natural consumidos a nível global, está encerrado e que os cargueiros que tentem passar serão atingidos.
O Qatar representa cerca de 15% das importações de gás natural europeias. Os níveis de armazenamento na Europa rondam os 40%, significativamente abaixo dos 40% na mesma altura do ano passado.
Fortes quedas nas bolsas europeias
O conflito no Médio Oriente está a provocar uma maré vermelha nas bolsas. Os mercados asiáticos fecharam esta madrugada com quedas. Em Tóquio, o Nikkei 225 desvalorizou 3,06% e em Hong Kong o Hang Seng caiu 1,14%. O MSCI Asia Pacific, que mede o desempenho da região, baixou 1,65%.
O velho continente segue o mesmo tom, com o índice pan-europeu Stoxx 600 a cair 2,45% esta manhã. Em Paris, as ações perdem 2,16%, em Frankfurt descem 2,76%, e em Londres 2%. Lisboa não escapa à tendência, com perdas de superiores a 3%. Os futuros do índice S&P500 perdem 1,7%, apontando para uma abertura negativa de Wall Street.
A procura por refúgio está a levar o dólar a ganhar terreno pelo segundo dia consecutivo. O euro está a perder 0,5% contra a divida norte-americana para os 1,16 dólares. O ouro sobe 0,23% para os 5.323 dólares por onça.
Os títulos de dívida pública estão também a ser castigados pelo receio de que a subida dos preços da energia dite um aumento da inflação e a necessidade de agravar taxas de juro. A taxa implícita (que se move em sentido contrário ao preço) das obrigações alemãs a 10 anos sobe esta manhã 6 pontos base para 2,77% e a dos títulos franceses oito pontos base para 3,37%. No caso de Portugal, a taxa sobe 7 pontos para 3,13%.
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