Cartel da banca. Líder do BCP diz que troca de informações entre bancos aumentou concorrência

Cartel da banca. Miguel Maya diz que pediria desculpa se o banco atuado de forma a prejudicar os clientes, mas considera que a troca de informações teve um efeito positivo na concorrência do mercado.

O presidente executivo do BCP, Miguel Maya, descartou que a troca de informação sensível sobre o mercado de crédito que resultou no processo conhecido como o ‘cartel da banca’ tenha causado prejuízos nos consumidores. Pelo contrário, disse o gestor, que recusou pedir desculpas.

“Nunca houve nenhum cartel, obviamente, porque nem sequer fomos acusados de qualquer cartel, nunca houve qualquer tipo de conluio. Havia esta suposta troca de informação, que tinha como propósito e teve como resultado até um aumento da concorrência”, alegou o gestor esta terça-feira na Comissão do Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP).

“Só para se ter uma ideia, resultado desse aumento da concorrência, o BCP pagou de juros aos clientes, não é recebeu de juros aos clientes, pagou de juros aos clientes em resultado desta agressividade e desta elevada concorrência. Pagou quase 3,6 milhões de euros aos clientes”, disse aos deputados.

O BCP foi condenado ao pagamento uma coima de 60 milhões de euros da Autoridade da Concorrência. Mas o banco – como os outros envolvidos neste caso – escapou à multa porque o Tribunal da Relação considerou que as coimas já tinham prescrito.

Miguel Maya recusou ainda pedir desculpa. “Pedir desculpas ao povo português não fica mal nenhum perante tudo aquilo que se passou”, atirou o deputado do PS Carlos Pereira.

O líder do BCP respondeu: “Não hesitaria por um minuto, por um momento, em pedir desculpas se tivesse a menor consciência de que estas práticas tivessem sido erradas e que estas práticas tivessem prejudicado os clientes. O banco tem mais de 6 mil pessoas em Portugal, todos os dias cometemos seguramente erros, a nossa preocupação é permanentemente aprender com os erros e evoluir. Agora, o que não vamos fazer é, quando não estamos de acordo, dizer que estamos de acordo só para agradar as pessoas”.

Também afastou responsabilidades sobre a prescrição do caso, atirando as culpas para a Autoridade da Concorrência. “O desfecho do processo foi adequado, mas preferia que o caminho fosse outro”, considerou Miguel Maya, que queria provar em julgamento que o banco não lesou famílias e empresas.

Miguel Maya terminou a sua audição como começou, reiterando a profunda convicção de que “nunca houve qualquer intenção de falsear a concorrência e de prejudicar os clientes”.

(notícia atualizada às 18h06)

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