Ministra do Ambiente classifica como “super urgente” intervenção nas arribas
Maria da Graça Carvalho revelou que a Agência Portuguesa do Ambiente está a concluir uma vistoria a toda a costa e as conclusões e projetos necessários devem ser apresentados daqui a oito dias.
A ministra do Ambiente afirmou esta terça-feira, em Albufeira, que a estabilização das arribas é uma prioridade “super urgente” do Governo para garantir a segurança no litoral, após o agravamento da erosão devido às recentes tempestades.
A intervenção nas arribas é um dos “projetos necessários e super urgente para garantir a segurança de quem visita as praias, sendo essa a parte mais urgente”, disse aos jornalistas Maria da Graça Carvalho, à margem de uma visita a praias do concelho de Albufeira, no distrito de Faro.
A ministra visitou as praias Maria Luísa e do Peneco, em Albufeira, para avaliar os estragos causados pelas tempestades que afetaram Portugal continental entre final de janeiro e as primeiras semanas de fevereiro, revelando que os danos se estendem de Moledo, concelho de Caminha, distrito de Viana do Castelo, a Vila Real de Santo António, no distrito de Faro.
Contudo, adiantou, o Algarve é a região onde “há mais problemas com as arribas e os casos mais complicados”, resultantes das tempestades de mar, chuvas e ventos fortes que assolaram o país nas últimas semanas. Maria da Graça Carvalho revelou que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está a concluir uma vistoria a toda a costa, sendo as conclusões e os projetos necessários apresentados “daqui a oito dias” pela APA, no Porto.
Durante a visita, a ministra ouviu as preocupações do presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina, sobre a intervenção “para salvar o rochedo no areal que dá nome à praia do Peneco, onde foram detetadas fissuras”. Segundo autarca, o rochedo “representa perigo e pode ruir a qualquer momento”, tendo sido delimitado um perímetro de segurança para evitar que as pessoas se aproximem.
“É algo muito simbólico, uma rocha emblemática que representa Albufeira. Vamos fazer tudo para a manter”, assegurou, remetendo, contudo, para a APA e para o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) “uma solução técnica ou construtiva para salvaguardá-lo da melhor maneira”. A ministra do Ambiente indicou que vai pedir a ajuda do LNEC para “apoiar numa decisão” sobre o que fazer relativamente ao rochedo, reforçando que estas intervenções complexas visam “garantir a segurança” de quem visita as praias.
Maria da Graça Carvalho referiu, por outro lado, que a estratégia do Ministério do Ambiente está dividida em três eixos de intervenção na orla costeira, com diferentes graus de celeridade: a segurança das arribas, recuperação das praias com enchimento de areia e projetos a médio prazo que exigem estudos de impacto ambiental.
Nos projetos de curto incluem-se os de preparação da época balnear, como a estabilização das arribas e pequenos e médios enchimentos de praias com areia e a reparação de passadiços. “O objetivo é que estas obras estejam concluídas antes do início da época balnear, recorrendo a financiamento “rápido e flexível”, acrescentou a governante.
Os projetos estruturais preveem intervenções de maior escala, que exigem estudos de impacto ambiental, e deverão estar prontos apenas para a época balnear do próximo ano. “Temos de fazer e tem de ser bem feito”, reiterou a ministra, notando que, embora o Algarve apresente os problemas mais complicados no que toca às arribas, a monitorização da APA “é contínua e sistemática em todo o território nacional”.
Ainda segundo a ministra, os trabalhos para reforçar o areal em algumas das “praias mais emblemáticas do país” deverão avançar entre maio e o início de junho.
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