Mota-Engil aumenta lucros em 9% para 133 milhões em 2025. Dividendo sobe para 0,173 euros

Construtora obteve EBITDA recorde de 979 milhões, com “margem inédita” de 18%. Eleições em Portugal, transição política no México e perda da Polónia provocam quebra de 11% no volume de negócios.

A Mota-Engil reportou esta terça-feira lucros de 133 milhões de euros em 2025, o que representou um crescimento de 9% em relação ao ano anterior. Num exercício em que obteve “o melhor resultado de sempre”, o grupo de engenharia e construção registou um EBITDA recorde de 979 milhões, com uma “margem inédita” de 18%.

Num ano caracterizado por “desafios internacionais”, salienta uma “diminuição expectável” do volume de negócios para 5.301 milhões de euros (-11%), justificada pelas eleições que atrasaram consignações em Portugal, pelo período de transição política no México e pela perda da operação polaca, alienado no ano anterior.

A empresa liderada por Carlos Mota Santos, que a 11 de março apresenta o novo plano estratégico até 2030 durante o seu primeiro Capital Markets Day, em Lisboa, vai propor à assembleia-geral de acionistas o pagamento de um dividendo por ação de 0,173 euros, isto é, acima dos 0,1497 euros distribuídos no ano passado.

Ainda sem incluir o contrato relativo à concessão do túnel no Brasil (1.255 milhões de euros) e o troço ferroviário Contumil – Ermesinde em Portugal (115 milhões), a carteira de encomendas está num máximo de 16,2 mil milhões de euros. Os chamados mercados core valem 72% do total, destacando-se México (22%), Angola (18%), Portugal (12%) e Nigéria (8%) como os mercados com maior volume a executar.

Em comunicado enviado à CMVM, o grupo nortenho salienta o crescimento de 22% da faturação em África para 2.129 milhões de euros, com um EBITDA que cresceu 25% para 565 milhões (margem de 27%), impulsionado pelo “expressivo crescimento” de 73% no segmento de Engenharia Industrial, o que o coloca no Top 5 mundial de Contract Mining e como maior operador em todo o continente africano.

Na América Latina, onde assinala ser a segunda maior construtora, o volume de negócios travou 33% em termos homólogos, para 2.006 milhões de euros. Ali manteve a margem de EBITDA nos 11%, em linha com o histórico de uma região que acredita que “retomará o crescimento já em 2026”, considerando os novos contratos de ferrovia angariados no México, assim como no Brasil, com projetos de Oil & Gas e o túnel de Santos-Guarujás.

Na mesma nota aos investidores, a Mota-Engil destaca ainda o segmento de Ambiente, em que o grupo atua nos setores de recolha e tratamento de resíduos e com “o foco estratégico na evolução na cadeira de valor com a produção crescente de energia a partir de resíduos”: obteve um crescimento de 15% na faturação para 652 milhões de euros, com uma margem EBITDA de 23%.

Na componente financeira, com a dívida líquida a tocar nos 1.941 milhões de euros, o grupo sublinhou a manutenção do “alinhamento dos rácios de financiamento com o objetivo de ficar abaixo de 2 vezes o rácio de dívida líquida / EBITDA, facto para o qual contribuiu a disciplina financeira de manter o investimento (CAPEX) ao nível do objetivo definido no início do ano e que estabelecia um rácio de 7% de CAPEX / volume de negócios, o que foi amplamente concretizado”.

Guidance para 2026 (objetivos a concretizar a 12 meses)

  • Crescimento do volume de negócios a dois dígitos (10%–15%), impulsionado pela execução da carteira recorde e pela aceleração de projetos de grande dimensão e longo ciclo nos mercados core;
  • Margem EBITDA deverá manter-se no nível alcançado em 2025, suportada por uma seleção rigorosa de projetos, uma carteira de maior qualidade e um contributo crescente de segmentos de maior margem;
  • Margem líquida sustentada em cerca de 3%;
  • A forte geração de caixa operacional deverá continuar apoiando um investimento disciplinado enquanto o rácio Dívida líquida/EBITDA se manterá abaixo de 2x e Dívida Bruta/EBITDA abaixo de 4x;
  • Investimento (CAPEX) estabilizado em 7% do volume de negócios;
  • Gestão eficiente do portefólio de concessões, promovendo a rotação disciplinada de ativos maduros, maximizando a criação de valor a longo prazo e reforçando a visibilidade de resultados recorrentes.

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