Padaria Gleba pede dez anos para pagar dívidas

Padaria artesanal enfrenta problemas de tesouraria após forte crescimento nos últimos anos. Com dívidas de 12 milhões de euros, quer mais tempo para cumprir responsabilidades e assegurar 230 empregos.

A Gleba está a pedir mais tempo aos credores para pagar as suas dívidas, que ascendem a mais de 12 milhões de euros. Só dessa forma é que padaria artesanal fundada por Diogo Amorim diz que conseguirá salvaguardar mais de 230 postos de trabalho e um negócio que deverá faturar mais de 13 milhões este ano.

Conhecida pelo método artesanal no fabrico do pão, a Gleba conta atualmente com 24 lojas na região da Grande Lisboa (14 das quais espalhadas pela capital), correspondendo ao triplo dos espaços que tinha em 2022, e emprega mais de 230 trabalhadores.

No plano especial de recuperação (PER) que apresentou junto do tribunal na semana passada, a empresa reconhece que nem tudo correu bem no plano de expansão dos últimos anos. O passivo triplicou desde 2021. Razão pela qual se confronta agora com muitos problemas de liquidez e dificuldades em honrar os seus compromissos financeiros. E já tem alguns dos credores à perna — Santander e Bankinter colocaram ações de execução contra a Gleba nos últimos meses.

“Durante o ano de 2024, a Gleba continuou o seu projeto de expansão reforçando o crescimento da marca, com a abertura de 12 (doze) novas lojas, o que implicou um elevado investimento. Contudo, registaram-se atrasos na execução e no arranque de algumas dessas novas lojas, bem como custos de instalação superiores aos previstos. Além disso, os resultados de algumas das novas lojas ficaram aquém do esperado, sendo que a maior complexidade logística e o reforço das equipas agravaram as necessidades de fundo de maneio da Gleba”, conta no PER.

“Apesar da consolidação da marca e da expansão alcançada, a conjugação destes fatores tem vindo a pressionar a tesouraria da Gleba, originando constrangimentos de liquidez e de solvabilidade de curto prazo”, acrescenta.

Embora o PER preveja que os credores recuperem 100% do capital, a Gleba pede um perdão dos juros de mora e ainda uma extensão dos prazos de reembolso.

Em relação aos credores comuns, que reclamam perto de nove milhões de euros e onde se incluem os bancos, a padaria fundada em 2016 por Diogo Amorim quer dez anos para o cumprimento integral das suas responsabilidades.

“Apenas desta forma será possível à Gleba salvaguardar todos os postos de trabalho, manter-se em atividade e continuar a ser uma empresa com perspetivas de crescimento”, dramatiza a padaria no PER, que ainda terá de ser aprovado pelos credores.

“Para isso, no imediato, será necessário reestruturar o passivo através da criação de novos planos de pagamento, que sejam exequíveis e compatíveis com a capacidade de geração de cash flow da empresa”, acrescenta.

Segundo a Gleba, um cenário de liquidação da empresa seria muito mais prejudicial para os credores. Não só porque implicaria o fim da atividade e a desvalorização dos ativos, mas também porque teria de pagar 420 mil euros em indemnizações aos trabalhadores.

A Gleba também deve cerca de 340 mil euros aos acionistas: Diogo Amorim é o fundador e maior acionista da empresa com 65% do capital, enquanto os restantes 35% estão nas mãos do empresário António Carrapatoso (14%) e da filha, Marta (21%), desde 2019. O PER prevê o pagamento destes créditos, mas só após o cumprimento integral do plano.

Para este ano, a Gleba espera uma faturação superior a 13 milhões de euros, devendo crescer até aos 15 milhões em 2029. Mas neste período as contas continuarão no vermelho: os prejuízos deverão ascender a 630 mil euros este ano. Só em 2032 é que a padaria prevê resultados positivos.

A Gleba salienta no PER que também já avançou com medidas internas para a racionalização dos custos, como a internalização de algumas tarefas, como a limpeza das lojas e o processamento salarial.

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