Prio alerta para “entraves e entravezinhos” à produção de biocombustíveis

Uma diretiva europeia que está em consulta pública ameaça limitar as misturas de biocombustíveis que se podem comercializar.

A administradora da Prio Bio, Anabela Antunes, alerta para um efeito penalizador de uma diretiva europeia que está em consulta pública e que limitaria o tipo de biocombustíveis que podem ser produzidos e comercializados. A responsável defende que não haja uma limitação e que sejam os consumidores a decidir as soluções que melhor lhes servem.

Se, efetivamente, não colocarem entraves e entravezinhos àquilo que é descarbonização, nós podemos fazer isto rapidamente. Muito mais rapidamente do que aquilo que está a acontecer ao dia de hoje“, afirmou Anabela Antunes, administradora responsável pelo pelouro das operações (COO) da Prio Bio, na conferência “Os Biocombustíveis na Rota da Transição Energética”, organizada pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, esta terça-feira.

Anabela Fernandes, administradora da Prio Bio com o pelouro das operações (COO)Hugo Amaral/ECO

A gestora referia-se à Fuel Quality Directive, uma diretiva europeia que considera um “retrocesso enorme” na medida em que quer proibir misturas de biocombustíveis entre B10 e B30. O “B” é de biocombustível, do número corresponde à incorporação — B10 tem na composição 10% de biocombustível. “Se temos uma seleção [de produtos] que já deu provas, que é uma solução para a descarbonização e com custo acessível, porque vamos agora andar para trás?”, questionou.

Se temos uma seleção [de produtos] que já deu provas, que é uma solução para a descarbonização e com custo acessível, porque vamos agora andar para trás?

Anabela Antunes

Administradora da Prio Bio

A Prio comercializa nos seus postos de combustível uma solução, o Eco Diesel, que está dentro da gama que agora pode ser proibida — é um B15. Mas também produz B100 e outras misturas adaptadas às necessidades dos clientes que não estão na gama que a diretiva, caso avance como está, põe em risco. “Podemos ir até onde nos deixarem ir [em termos de misturas]. Não há nenhuma limitação técnica”, frisou, apelando a que seja permitido às diferentes soluções competirem entre si, deixando os consumidores escolherem “a que quiserem”.

Na mesma linha, Francisco Gírio, do LNEG, gostaria de ver “o mercado a selecionar a entrada das diferentes tecnologias numa lógica de custo eficiência”, e que não fossem promovidas políticas públicas que distorcessem este princípio de eficiência.

Metas da aviação exigem mais investimento

Marco Ferraz, responsável da área de Upstream e do Centro de Inovação Industrial da Galp, salienta, por outro lado, que a regulação europeia já obriga a uma incorporação de combustíveis de baixo carbono no setor da aviação de 2% desde o ano passado — em 2030 cresce para 6%. Tendo estas metas em conta, defende que decisões finais de investimento em unidades de produção “deviam estar a acontecer” para que todos conseguissem cumprir o objetivo.

O mercado ainda hoje está muito curto na oferta”, pelo que as empresas “precisam de facto de ser incentivadas a fazer estes grandes investimentos“, já que se tratam de unidades que requerem investimentos acima de 400 milhões de euros, apontou o responsável.

No caso da Galp, explicou, tem havido uma aposta no “coprocessamento”. Nas unidades de refinação de combustíveis fósseis pode ser processada uma percentagem, “ainda que reduzida”, de matéria orgânica ou matéria-prima de origem biológica. Desta forma, 5% a 10% do produto pode ser um biocombustível, o qual pode ser incorporado, permitindo, ao mesmo tempo, uma redução do investimento inicial.

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