Resiliência, novos modelos de infraestrutura e posicionamento do setor na economia da IA são o foco do debate no #MWC26
O Mobile World Congress 2026 reúne em Barcelona os principais atores do ecossistema digital numa fase de redefinição estrutural para a indústria das telecomunicações.
Além dos anúncios tecnológicos, o foco do congresso estará nas decisões estratégicas que definirão o modelo industrial do setor nos próximos anos.
De acordo com a consultora de telecomunicações Nae, empresa da Minsait (Indra Group), entre os pontos-chave que marcarão a agenda do evento está a resiliência como eixo estrutural do modelo de telecomunicações. «A resiliência consolida-se como uma variável estratégica. O debate gira em torno de novas arquiteturas híbridas (terrestres e satelitais), modelos de repartição de riscos em infraestruturas críticas e implicações regulatórias e geopolíticas da segurança da rede. A resiliência deixará de ser abordada apenas do ponto de vista tecnológico para se integrar no desenho do modelo de negócio», explica a consultora.
Ela também cita a consolidação do satélite e do Direct-to-Cell na estratégia das operadoras. A conectividade via satélite continua evoluindo de um complemento de cobertura para um elemento cada vez mais integrado ao ecossistema. No #MWC26 será analisada a adequação dos modelos LEO e NTN nas estratégias de telecomunicações e o impacto do Direct-to-Cell (D2C) na proposta de valor das operadoras.
Outra chave são os novos modelos de infraestrutura e monetização de ativos. A partilha, o host neutro e as diferentes fórmulas de especialização de ativos continuarão a ganhar protagonismo. Num ambiente de pressão sobre as margens, o setor explorará como maximizar os fluxos de caixa previsíveis através de modelos mais flexíveis de acesso e exploração de infraestruturas.
Além disso, aponta a conectividade especializada como a nova fronteira do 5G. Com a cobertura amplamente estendida, o valor diferencial desloca-se para ambientes complexos: espaços interiores de alta densidade, infraestruturas de transporte e ambientes industriais. O desafio será conceber modelos de negócio sustentáveis em cenários de elevada exigência técnica.
Acrescenta ainda que a incorporação de funções de deteção na evolução para o 6G abrirá novas aplicações relacionadas com a gestão de ambientes críticos, a monitorização de infraestruturas e a integração entre rede e segurança. A rede amplia progressivamente a sua função dentro do modelo industrial do setor.
Em relação à automação e IA como requisito operacional, explica que a automação avançada e a integração da IA em operações críticas se consolidam como elementos necessários para garantir eficiência, previsibilidade e capacidade de resposta em condições de stress. A autonomia operacional será um componente-chave da resiliência.
Por fim, ele cita o papel do setor na economia da IA e da energia. «O crescimento dos centros de dados para IA e o aumento da procura energética redefinem o ambiente competitivo. O setor das telecomunicações deverá posicionar-se como facilitador e parceiro estratégico na construção de novas infraestruturas digitais, em estreita coordenação com o setor energético», indica.
O congresso também será marcado por avanços em 6G, APIs de rede, evolução do núcleo 5G Stand Alone ou interconexão IP. Estas tecnologias continuarão a evoluir como facilitadoras do ecossistema digital.
No entanto, o debate central do #MWC26 será de natureza estratégica: como garantir resiliência, sustentabilidade económica e relevância industrial num ambiente de transformação acelerada.
A Nae defende que o desafio não será identificar o que é tecnicamente possível, mas sim quais as decisões estruturais que permitirão ao setor garantir a competitividade e a rentabilidade na próxima década.
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