Secretas portuguesas atentas a “eventuais consequências e ramificações do conflito” no Médio Oriente
O conflito continua a alastrar no Médio Oriente e não só, levando os serviços de informações portugueses a acompanhar de perto o tema, para antecipar as "potenciais ameaças à segurança interna".
Os serviços de informações portugueses estão atentos ao desenrolar da escalada bélica no Médio Oriente, num momento em que os combates entre Irão e o bloco Israel/Estados Unidos extravasou as fronteiras iniciais. Em resposta ao ataque que começou no último sábado e ainda prossegue, o Irão tem retaliado contra vários países próximos, como o Qatar, os Emirados Árabes Unidos ou a Arábia Saudita, enquanto Israel também atacou posições no Líbano de forças tidas como próximas do regime de Teerão.
Mas não é tudo. Também uma base aérea britânica no Chipre foi alvo de um ataque por drones, como parte de uma retaliação mais alargada contra os aliados dos Estados Unidos nesta ofensiva. Portugal está geograficamente longe do conflito, mas a utilização da Base das Lajes, nos Açores, por parte das forças norte-americanas, pode eventualmente colocar o país no radar.
As autoridades nacionais estão atentas a esses fenómenos, nomeadamente as secretas, que recolhem e tratam toda a informação sobre o tema. Questionada pelo ECO/eRadar, fonte oficial do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) não dá pormenores sobre as medidas que têm sido tomadas, mas confirma que o tema está a merecer particular atenção.
“Ao longo dos últimos meses, os Serviços de Informações têm acompanhado de forma particularmente atenta os desenvolvimentos na região do Médio Oriente e as suas possíveis repercussões em território nacional”, esclarece a mesma fonte oficial, detalhando que “desde o início dos ataques de 28 de fevereiro que o Sistema de Informações da República Portuguesa tem dotado os decisores políticos e as entidades com as quais coopera internamente com as informações necessárias para acompanharem os desenvolvimentos no terreno e enquadrar possíveis ameaças a interesses e cidadãos nacionais.”
Nesta fase de incerteza, o SIRP continua atento às ameaças mais imediatas aos nossos interesses e à segurança dos portugueses, bem como às eventuais consequências e ramificações do conflito. Nesse sentido, o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) continuará a fazer um trabalho de análise estratégica e o Serviço de Informações de Segurança (SIS) a monitorizar e antecipar as potenciais ameaças à segurança interna.
O SIRP é composto por duas forças e ambas têm um papel a desempenhar nesta fase e em relação aos possíveis impactos deste conflito: o SIED mais na vertente externa e o SIS na interna e nas ameaças à segurança interna. “Nesta fase de incerteza, o SIRP continua atento às ameaças mais imediatas aos nossos interesses e à segurança dos portugueses, bem como às eventuais consequências e ramificações do conflito. Nesse sentido, o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) continuará a fazer um trabalho de análise estratégica e o Serviço de Informações de Segurança (SIS) a monitorizar e antecipar as potenciais ameaças à segurança interna.”
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e já admitiu que “não descarta o envio de tropas norte-americanas para o Irão, se for mesmo necessário”, avança o New York Times, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.
O Irão já confirmou a morte do ayatollah Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de seis militares norte-americanos.
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