Sem ganhos extraordinários, lucro da Nos cai 10% em 2025

Depois de ter registado ganhos não recorrentes com as torres e devolução de taxas em 2024, a Nos, nova dona da Claranet, fechou 2025 com menos lucros, mas um melhor resultado operacional.

ECO Fast
  • A Nos registou um lucro de 245,9 milhões de euros em 2025, uma queda de 9,6% em relação ao ano anterior, ao registar menos resultados não recorrentes.
  • Apesar da diminuição dos lucros, a empresa propôs manter o dividendo ordinário e duplicar o extraordinário, oferecendo 45 cêntimos por ação.
  • A Nos quer liderar a transformação digital no setor, integrando inteligência artificial e focando na eficiência e inovação.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A Nos NOS 0,75% lucrou 245,9 milhões de euros em 2025. O resultado líquido caiu 9,6% face ao ano anterior devido ao “menor volume de resultados não recorrentes”, depois de a empresa ter obtido encaixes em 2024 com a venda de torres de telecomunicações e o reembolso de taxas cobradas ilegalmente pela Anacom.

Num ano em que adquiriu a tecnológica Claranet Portugal por 152 milhões de euros, consolidada nas contas da empresa a partir do mês de abril, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) aumentou 4,3% em 2025 numa base comparável, tendo atingido 813,5 milhões de euros. As receitas totais também melhoraram, ao crescerem 1,6%, para 1.823,2 milhões de euros, o “valor mais elevado de sempre”, segundo um comunicado da empresa.

Apesar da quebra dos lucros, a Nos propôs manter o dividendo ordinário e duplicar o dividendo extraordinário. Se a proposta for aprovada, os acionistas irão receber este ano um total de 45 cêntimos por ação, que correspondem a um dividend yield de 11,2%, considerando a cotação da ação da Nos no final de 2025, conforme noticiou o ECO.

“O último ano foi marcado por uma elevada exigência para o setor das telecomunicações e tecnologia, definido por um ambiente geopolítico incerto e por uma concorrência particularmente intensa. Neste contexto, a Nos voltou a demonstrar a força da sua estratégia e a capacidade de execução das suas equipas, alcançando resultados sólidos e sustentáveis”, reage Miguel Almeida, CEO da Nos, num dia em que as ações da empresa caíram mais de 1,7% na bolsa de Lisboa, arrastadas pelo pessimismo que a guerra no Médio Oriente carimbou nos mercados financeiros durante esta terça-feira.

Citado na referida nota, o gestor também enaltece a “melhoria de margem” de EBITDA resultante da “eficácia” do “programa de transformação” e “foco contínuo na eficiência, alcançada a partir da adoção abrangente de inteligência artificial” na operação. Importa recordar que, em 2025, a Nos levou a cabo um plano de reestruturação para reduzir lideranças intermédias e preparar a empresa para um contexto mais concorrencial, do qual resultaram despedimentos.

“A inteligência artificial assumiu um papel central na nossa transformação. Através do programa SCAILE, estamos a integrar IA de forma transversal na organização, simplificando processos, aumentando a eficiência e acelerando a inovação. Este é um passo fundamental para construirmos redes mais inteligentes, operações mais ágeis e experiências mais personalizadas para os nossos clientes”, afirma o presidente executivo.

Entramos em 2026 com confiança, mas também com sentido de urgência. A convergência entre conectividade, sistemas de informação e inteligência artificial está a redefinir o nosso setor, e a Nos está preparada para liderar essa mudança. Com uma estratégia consistente, uma base tecnológica diferenciadora e equipas excecionais, continuamos focados em construir uma empresa mais resiliente, mais eficiente, mais inovadora, mais próxima dos clientes e completamente preparada para um futuro que é incerto.

Miguel Almeida

CEO da Nos

Com o negócio das telecomunicações, que domina as receitas do grupo, a Nos obteve 1.593 milhões de euros, mais 5,8% do que em 2024. Apesar do “contexto desafiante”, marcado pela entrada no mercado português da romena Digi, “a Nos adicionou 214,4 mil novos serviços”, atingindo os 10,9 milhões.

No móvel, onde a rede 5G da Nos cobre 99,6% da população, segundo dados da própria empresa, o número de subscritores aumentou 3,3%, para cerca de 5,7 milhões. Simultaneamente, no fixo, o número de acessos aumentou 2%, para 1,55 milhões. A rede fixa da Nos chega agora a mais de 6,1 milhões de casas e empresas, um aumento de 6,6%.

Com a compra da Claranet Portugal, a Nos passou a reportar um novo segmento de receitas de TI (Tecnologias da Informação), agregando as da Nos e as da empresa adquirida, que continua a operar com o mesmo nome. O valor obtido com este negócio chegou aos 167,2 milhões de euros, mais 3,5%. “Hoje, a Nos combina liderança em conectividade com competências em cloud, cibersegurança e serviços digitais de elevado valor acrescentado, posicionando-se como um agente ativo da transformação digital das empresas portuguesas”, diz Miguel Almeida.

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Miguel Almeida, CEO da Nos, é o gestor há mais tempo aos comandos de uma operadora de telecomunicações em PortugalHugo Amaral/ECO

Analisando de outro prisma, as receitas de consumo em 2025 estagnaram nos 1.141,9 milhões, mas foram compensadas pelo incremento de 5,8% nas receitas empresariais, que chegaram aos 450,6 milhões. “A Nos é hoje uma referência em telecomunicações mas também como prestador de serviços no segmento de TI”, assume a cotada lisboeta.

Numa nota menos positiva, o negócio de Cinema e Audiovisuais registou uma quebra de 2,6% nas receitas, para 99,6 milhões de euros. A empresa atribui o pior desempenho ao facto de o ano prévio ter arrancado com vários “sucessos de bilheteira”.

Em 2025, a Nos reduziu marginalmente os custos operacionais em 0,5%, para 1.009,7 milhões de euros. O investimento total do ano recuou 2,4%, de forma “estrutural”, para 366,4 milhões de euros, em “resultado da maturidade de infraestruturas de rede móvel e do progresso na expansão de rede fixa em modelo de aluguer grossista de redes de terceiros”.

(Notícia atualizada pela última vez às 17h29)

Desempenho das ações da Nos em Lisboa:

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