Casa Branca diz que Espanha vai “cooperar militarmente” com EUA. Madrid desmente “categoricamente”

  • ECO
  • 4 Março 2026

A porta-voz da Casa Branca adiantou que nas "últimas horas", Espanha tinha aceitado cooperar militarmente com os EUA. Em reação imediata, o governo de Sánchez negou qualquer mudança.

EUA e Espanha voltaram a chocar um dia depois de Donald Trump, na Sala Oval, ter anunciado um corte das relações comerciais com o país liderado por Pedro Sánchez. Em conferência de imprensa, a porta-voz da Casa Branca assegurou que Espanha tinha, nas “últimas horas”, aceitado “cooperar militarmente” com os EUA no âmbito da ofensiva ao Irão.

“É inaceitável que a Espanha se tenha mostrado tão pouco cooperante este fim de semana em relação às bases americanas”, disse ainda Karoline Leavitt esta quarta-feira.

A resposta de Madrid chegou nos minutos seguintes. O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, desmentiu “categoricamente” qualquer acordo ou mudança de estratégia, segundo o El País. De manhã, numa declaração ao país, o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, já tinha resumido a posição espanhola no conflito à frase “Não à guerra”.

Espanha, ao contrário de Portugal, recusou que as forças norte-americanas utilizassem as bases espanholas no ataque ao Irão e foi o mais vocal, entre os pares europeus, a condenar a violação do direito internacional. “A posição da Espanha é a mesma que na Ucrânia ou em Gaza. Não à violação do Direito Internacional que nos protege a todos. Não à resolução de conflitos com bombas. Não à guerra. O mundo já passou por isso antes”, disse Sánchez, recordando o ataque ao Iraque há 23 anos.

“Esse foi o presente do trio dos Açores: um mundo mais inseguro e uma vida pior”, disse Sánchez, numa alusão ao encontro de Tony Blair, José Maria Aznar e George W. Bush na base das Lajes, que teve como anfitrião Durão Barroso.

Sem referir diretamente os EUA, e “sem medo de represálias”, o líder espanhol respondeu assim às ameaças do dia anterior de Trump. Ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, que se manteve em silêncio, o presidente norte-americano afirmou que tinha dado instruções para terminar todos os “acordos comerciais com Espanha”, um país “terrível”.

A pálida solidariedade com Espanha, perante as ameaças do presidente dos EUA, veio ao longo do dia de Emmanuel Macron e também da União Europeia. António Costa garantiu que a “UE assegurará sempre que os interesses dos seus Estados-membros são plenamente protegidos”.

 

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