CEO da EDP vê conflito no Médio Oriente a alimentar procura por renováveis

Em entrevista à Bloomberg TV, Miguel Stilwell de Andrade deu Portugal como exemplo das vantagens de investir em energias limpas, reduzindo a importação de fontes fósseis expostas à volatilidade.

O atual conflito no Médio Oriente, tal como aconteceu com a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, está a sublinhar a importância da independência energética e vai impulsionar a procura e o investimento em energias renováveis, afirmou esta quarta-feira o CEO da EDP, pois esta permitem imunidade a choque exógenos.

Em entrevista à Bloomberg TV, questionado sobre o impacto que a EDP está a sentir do conflito que começou no sábado, Miguel Stilwell de Andrade, começou por dizer que “está a introduzir muita volatilidade”. “Por isso estamos a assistir a algo que, numa fase inicial, é semelhante ao que aconteceu em 2022“, disse, antes de sublinhar que “o importante é que isso apenas realça a importância da diversificação do ponto de vista energético”.

O CEO recordou que a EDP tem vindo a defender há muitos anos o investimento em energias renováveis, que estão muito mais protegidas deste tipo de choques exógenos. “Há muitos anos que somos líderes no setor das tecnologias limpas, temos investido tanto na Europa como nos EUA e temos um exemplo fantástico em Portugal, que tem mais de 75% de produção renovável e que conseguiu atravessar a crise de 2022 e por isso, penso que também vamos navegar esta crise, basicamente porque temos muito mais fontes expostas a este tipo de volatilidade”, disse.

Questionado se tem visto mais interesse de investidores e governos nas renováveis, Stilwell de Andrade respondeu: “Sim, temos”. “Em 2022, ficou muito claro que as questões relacionadas à independência energética, diversificação, acessibilidade e competitividade são muito propícias para investir mais onde é possível aproveitar os recursos naturais sem precisar de importar combustíveis fósseis de fora”.

Temos observado esse impulso e acreditamos que ele será reforçado pelo que estamos a ver hoje“, vincou o líder da maior empresa portuguesa.

Com maior procura, a EDP pede menos burocracia. “Temos esforçado para investir duas ou três vezes mais rápido do que tem acontecido no passado, mas acho que um dos grandes entraves é toda a burocracia administrativa e burocrática que muitas vezes dificulta a concretização desses projetos”, lamentou. “Temos defendido que precisamos ser muito mais rápidos na redução da burocracia, garantindo que esses projetos possam ser acelerados, para que seja possível reduzir a dependência energética dos combustíveis fósseis”.

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