Dados da vida real e inteligência artificial impulsionam a investigação clínica em oncologia

  • Servimedia
  • 4 Março 2026

Gilead Sciences reuniu especialistas em oncologia num encontro.

Neste encontro foram abordados os avanços na investigação clínica, a conceção de ensaios clínicos e como os dados da vida real (RWD) e a inteligência artificial estão a revolucionar a forma como os tratamentos oncológicos são desenvolvidos e avaliados.

Durante o encontro, que se centrou na compreensão e evolução dos modelos de investigação clínica, André Marques, Diretor Sénior da Unidade de Negócios de Oncologia da Gilead Espanha e Portugal, destacou a importância de compreender como se constrói a evidência científica e como se interpretam os resultados dos ensaios. Na sua intervenção, Marques sublinhou que é fundamental fornecer informações rigorosas e contextualizadas sobre os ensaios clínicos e os tratamentos, a fim de transmitir à sociedade um conhecimento claro do seu impacto real nos doentes.

O Dr. Luis de la Cruz, chefe do Serviço de Oncologia Médica do Hospital Universitário Virgen Macarena, explicou que a avaliação dos ensaios clínicos deve ir além dos resultados estatisticamente significativos. Na sua intervenção, o Dr. de la Cruz salientou que indicadores como a sobrevivência global, a sobrevivência livre de progressão e a taxa de resposta são essenciais para medir o benefício de um tratamento. No entanto, enfatizou que é importante avaliar a magnitude do benefício clínico real que esses resultados trazem ao paciente. Da mesma forma, discutiu-se a distinção entre significância estatística e relevância clínica, destacando as limitações das variáveis quando analisadas em estudos de longo prazo.

Um dos aspetos mais destacados do encontro foi a análise do desenho dos ensaios clínicos, incluindo o crossover, uma metodologia utilizada em certos estudos em oncologia que permite que os pacientes inicialmente designados para o grupo de controlo recebam o tratamento experimental após a progressão da sua doença. O Dr. de la Cruz explicou que este tipo de desenho tem implicações estatísticas relevantes e requer uma análise específica para avaliar adequadamente os resultados.

Elisenda Martínez, presidente da Associação Espanhola de Cancro da Mama Metastático (AECMM), apresentou uma visão sobre o papel crucial dos dados da vida real, destacando como esses dados complementam os gerados em ensaios clínicos. Martínez explicou que, embora os ensaios clínicos demonstrem a eficácia e a segurança dos tratamentos em condições controladas, nem sempre refletem a experiência do paciente na sua vida quotidiana. Sublinhou a importância de recolher resultados relatados pelos pacientes, como a qualidade de vida, o impacto social e a saúde mental, uma vez que também fazem parte do resultado clínico.

O dia terminou com uma análise sobre o futuro da investigação clínica em oncologia, com foco em como a inteligência artificial está a transformar o desenho e o desenvolvimento dos ensaios. Foi discutido o uso de modelos preditivos e ferramentas baseadas em dados que permitem melhorar a seleção de pacientes e otimizar os desenhos metodológicos. O Dr. de la Cruz concluiu que o uso de biomarcadores e ferramentas de inteligência artificial está a permitir avançar para ensaios mais direcionados e com maiores garantias de sucesso, com o objetivo de oferecer tratamentos mais personalizados e eficazes para os pacientes.

Os especialistas concordaram que a evolução da investigação clínica em oncologia requer uma compreensão cada vez mais profunda dos seus fundamentos metodológicos, bem como uma comunicação clara que permita contextualizar adequadamente os resultados dos estudos.

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