Ataque ao Irão. Durão Barroso considera posição de Espanha um “erro”

"Do ponto de vista espanhol, acho que é um erro. Conseguiu pôr contra ele todo o mundo árabe", considera Durão Barroso sobre posição de Espanha na ofensiva dos EUA e Israel ao Irão.

Durão Barroso não ficou surpreendido com a guerra com o Irão, mas admite que não estava a espera da posição de Espanha. “Do ponto de vista espanhol, acho que é um erro. Alienou a ligação com os EUA, sendo Espanha membro da NATO. Conseguiu pôr contra ele todo o mundo árabe. Para os americanos, um aliado, como Espanha, não os apoiou num momento importante”, disse em entrevista à RTP, sublinhando que “Portugal é considerado um aliado credíve”.

Na declaração ao país, esta quarta-feira de manhã, Pedro Sánchez defendeu que a “posição de Espanha é a mesma que na Ucrânia ou em Gaza”. E continuou: “Não à violação do Direito Internacional que nos protege a todos. Não à resolução de conflitos com bombas. Não à guerra. O mundo já passou por isso antes”. O presidente do governo espanhol referia-se ao ataque ao Iraque há 23 anos, que depôs Saddam Hussein com a justificação, nunca comprovada, que o país tinha armas de destruição maciça.

Esse foi o presente do trio dos Açores: um mundo mais inseguro e uma vida pior”, disse ainda Sánchez, numa alusão ao encontro de Tony Blair, José Maria Aznar e George W. Bush na base das Lajes, que teve como anfitrião Durão Barroso, na altura primeiro-ministro de Portugal.

Sobre Portugal, Durão Barroso considera que esta crise mostrou que o país continua a ser importante, nomeadamente devido à base das Lajes. “Hoje em dia os americanos já não fariam um acordo daqueles [da base das Lajes], de maneira nenhuma. É um acordo claro, a base das Lajes é portuguesa e os Estados Unidos podem utilizar de acordo com certas condições”, referiu.

O antigo presidente da Comissão Europeia considera que está na altura da UE deixar de ser ingénua. “Se formos a falar de Direito Internacional, quem começou por violar o direito internacional foi o Irão. Os americanos e os israelitas estão também a atuar fora do direito internacional”, disse.

Por isso, admite que os europeus não podem ser os únicos “vegetarianos” num mundo de “carnívoros”. “Temos de assumir geopoliticamente que não somos mais um adolescente geopolítico”, atira.

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