Lucro e dividendo dispararam ações da Nos para máximos de mais de seis anos
Os resultados da telecom para o quarto trimestre saíram acima do esperado pelos analistas, com investidores também agradados pelo aumento do dividendo extraordinário.
As ações da Nos NOS 0,00% disparam esta terça-feira 6,60% para 5,33 euros cada, para máximos de seis anos e meio, impulsionadas por uma surpresa positiva nos resultados dos últimos três meses de 2025 e pela duplicação do dividendo extraordinário a pagar aos acionistas.
A subida dos títulos, que renovam máximos de agosto de 2019, está a ajudar a manter o índice lisboeta PSI em terreno positivo – sobe 0,56% – numa altura de incertezas nos mercados devido ao conflito no médio oriente.
A telecom liderada por Miguel Almeida anunciou esta segunda-feira um aumento de 58% no lucro líquido trimestral, para 63,8 milhões de euros, bem acima do consenso compilado pela empresa de 30,4 milhões de euros. O resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA, na sigla em inglês) do quarto trimestre, de 195,5 milhões de euros, ficou acima do consenso de 187,2 milhões de euros.
“As estimativas do EBITDA podem subir após os resultados positivos”, refere o banco de investimento J.P. Morgan, citado pela Reuters.
No conjunto dos 12 meses de 2025 o resultado líquido caiu 9,6% face ao ano anterior devido ao menor volume de resultados não recorrentes depois de a empresa ter obtido encaixes em 2024 com a venda de torres de telecomunicações e o reembolso de taxas cobradas ilegalmente pela Anacom. Num ano em que adquiriu a tecnológica Claranet Portugal por 152 milhões de euros, consolidada nas contas da empresa a partir do mês de abril, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) aumentou 4,3% em 2025 numa base comparável, tendo atingido 813,5 milhões de euros. As receitas totais também melhoraram, ao crescerem 1,6%, para 1.823,2 milhões de euros, o “valor mais elevado de sempre”, segundo um comunicado da empresa.
CEO diz que política de dívidendos é “conservadora”
O J.P. Morgan destaca ainda que a empresa propôs um dividendo especial de 0,10 euros por ação, acima dos 0,05 euros por ação previstos para 2024. O dividendo ‘normal’, sobre o exercício de 2025, fica inalterado nos 0,35 euros por ação. Se for aprovado pelos acionistas em assembleia geral, o dividendo total da Nos atingirá, assim, os 45 cêntimos, o que representa um dividend yield total de 11,2%, considerando o preço das ações no final do ano passado.
Em conferência de imprensa esta quarta-feira, o CEO Miguel Almeida disse que quando a empresa decide os dividendos, tem de ter uma perspetiva do ano, daquilo que foi a produção de caixa e o que foram os resultados do ano, mas também uma perspetiva de médio-longo prazo. “Dessa perspetiva de médio-longo prazo, o que está inerente a esta evolução dos resultados permite-nos com confiança reforçar o dividendo. Ainda assim, se somar o dividendo ordinário com o extraordinário, não estamos a distribuir a totalidade dos resultados nem estamos a distribuir a totalidade do cash flow”, explicou. “Portanto, ainda assim, é conservador, porque nós distribuímos este dividendo e simultaneamente estamos a reduzir dívida. Portanto, é uma política conservadora de distribuição de dividendos”.
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