Montenegro propõe diretas no PSD em maio e desafia Passos Coelho a apresentar-se

  • Lusa
  • 4 Março 2026

O presidente do PSD propôs que as eleições diretas no partido se realizem em maio para que "não haja qualquer dúvida" e desafia quem tiver "caminho diferente e alternativo" a apresentar-se.

O presidente do PSD quer eleições diretas no partido para maio, para que “não haja qualquer dúvida”, e desafia quem tiver um “caminho diferente e alternativo” a apresentar-se. Luís Montenegro falava na intervenção inicial do Conselho Nacional, aberta à comunicação social, numa resposta implícita à entrevista de Pedro Passos Coelho ao ECO, na qual defende que o Governo deveria ter procurado entendimentos com o Chega e a IL para garantir a estabilidade necessária para avançar com reformas estruturais.

“Gosto de ser claro e direto: Se houver um caminho alternativo e diferente que seja apresentado e que seja objeto da apreciação do partido, dos seus órgãos e dos militantes. Estamos aqui para transformar Portugal, para ouvir aqueles que nos querem ajudar, mas para não perder a oportunidade, a honra e o privilégio que alcançámos nas urnas com a confiança dos portugueses”, disse. Em várias passagens da sua intervenção, Montenegro defendeu que o partido “não podia ter dúvidas” sobre o “caminho reformista” do atual Governo, ainda que aceite todos os “incentivos à mudança”, uma das expressões utilizadas precisamente pelo antigo líder do PSD, Pedro Passos Coelho.

O antigo primeiro-ministro e líder do PSD concedeu esta semana uma entrevista exclusiva ao ECO, a primeira em mais de oito anos, e ficou claro que a sua visão é divergente da seguida pelo atual Governo. Passos Coelho garantiu que as suas intervenções não têm o objetivo de preparar qualquer regresso à política partidária, mas também assinalou que não excluiu qualquer decisão futura. E para responder a críticas de que estava a seguir uma estratégia de dissimulação, foi claro: “Quando eu quiser candidatar-me, candidato-me, e anuncio que me vou candidatar”, afirmou, em entrevista ao ECO.

Neste Conselho Nacional, o líder do PSD disse até admitir que os adversários, sejam eles “partidos políticos ou alguns intervenientes na cena mediática”, possam “desvalorizar ou diminuir o impacto, o alcance e até a profundidade” do que o Governo PSD/CDS-PP está a fazer. “Será mais estranho, será mesmo um equívoco gigante, que sejamos nós a ter dúvidas sobre isto. Que sejamos nós a duvidar daquilo que estamos a fazer, do alcance daquilo que estamos a fazer, da profundidade, da dimensão, da ambição daquilo que estamos a fazer“, disse. E foi ainda mais direto a visar uma outra crítica do seu antecessor: “Aqueles que no PSD acham que este Governo e este primeiro-ministro são uma segunda versão dos governos e do primeiro-ministro que os antecedeu, aqueles que tiverem dúvidas no PSD, de facto, não estão a compreender aquilo que nós estamos a fazer”, afirmou. “Nós não somos infalíveis e, naturalmente, aceitamos com humildade todos os incentivos que nos sejam lançados para melhorarmos ainda mais a nossa performance e para levarmos ainda mais longe este nosso impulso reformista“, referiu.

No entanto, Montenegro disse não querer estar na presidência do PSD e à frente do Governo “sem a confiança dos militantes do PSD e dos eleitores portugueses”, nem que haja qualquer “dúvida existencial” sobre estratégia política do Governo ou até das alianças políticas, depois de Passos Coelho ter dito que deveria ter sido tentado um acordo de legislatura com Chega e IL. “Eu não tenho nenhuma dúvida, eu creio que o PSD também não terá, mas isso é um assunto que o PSD terá de dirimir”, desafiou.

Montenegro recordou que foi eleito presidente do PSD a primeira vez a 28 de maio de 2022, há quatro anos, e anunciou que já propôs à Comissão Política Nacional o seu desejo de que as eleições diretas no partido possam regressar a este calendário, depois de em 2024 terem derrapado para depois do verão devido às eleições europeias. “Teremos, portanto, a oportunidade de fazer as eleições diretas, o nosso Congresso e não perturbarmos o andamento da nossa estratégia política e governativa com dúvidas que os portugueses possam não compreender”, afirmou.

Montenegro apontou como exemplos do que considera “reformas estruturais” os muitos acordos com carreiras da administração pública, a descida de vários impostos, o processo lançado de reforma do Estado e até as alterações à legislação laboral ainda em negociação na concertação social. “Acho que nós no PSD não devemos ter dúvidas. Se nós tivermos dúvidas não vamos ser capazes de garantir a estabilidade nem vamos ser capazes de executar a agenda transformadora que está na base do nosso programa”, defendeu.

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