Preço do crédito ao consumo sobe para o nível mais alto em quase 12 anos

A taxa de juro do crédito ao consumo subiu para 9,15% enquanto a taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação recuou para 2,83%.

A taxa de juro média das novas operações de crédito ao consumo fixou-se em 9,15% em janeiro de 2026, um aumento de 5,3 pontos base face a dezembro do ano passado. Trata-se do valor mais elevado desde julho de 2014 — há quase 12 anos –, segundo os dados divulgados esta quarta-feira pelo Banco de Portugal​

A subida do preço do crédito ao consumo representa um recuo na melhoria das condições de acesso ao crédito para os portugueses que recorrem a empréstimos pessoais, crédito automóvel ou cartões de crédito — produtos financeiros tipicamente concedidos a taxa fixa e por isso mais sensíveis ao apetite de risco das instituições financeiras do que ao ciclo de política monetária do Banco Central Europeu — que se assistiu no último ano.

O aumento desta taxa de juro, habitual em janeiro, decorre da atualização dos preçários dos bancos e está em linha com o observado em janeiro de 2025 (aumento de 0,56 pontos percentuais, para 9,12%)”, justifica o Banco de Portugal.

No crédito à habitação, o movimento foi em sentido contrário. A taxa de juro média das novas operações recuou de 2,85%, em dezembro, para 2,83% em janeiro, prolongando a tendência de alívio que tem marcado este segmento desde que o BCE iniciou o ciclo de descidas dos juros diretores em meados de 2024.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

Dentro do crédito à habitação, importa distinguir entre contratos novos e contratos renegociados. “A taxa de juro média dos novos contratos manteve-se em 2,84%”, precisa o regulador, enquanto “a dos contratos renegociados diminuiu 0,04 pontos percentuais, para 2,81%”.

Esta diferença reflete o facto de os mutuários que renegociaram os seus contratos terem conseguido, em média, condições ligeiramente mais favoráveis do que os que contrataram novos empréstimos em janeiro.

O contraste entre a evolução do crédito ao consumo e do crédito à habitação espelha dinâmicas estruturalmente distintas entre estes dois mercados. Enquanto o crédito à habitação em Portugal é maioritariamente indexado à Euribor, que tem acompanhado a descida dos juros do BCE, o crédito ao consumo é concedido sobretudo a taxa fixa, definida pelas próprias instituições financeiras em função do risco e da procura.

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